Lagoa dos Patos / Lagoa do Peixe – Tavares RS –
31°
30′ 03″ S, 51° 11′ 15″ O – mergulhando no berçário da vida
Bem, enquanto minhas andanças não recomeçam, vamos de lembranças.
E hoje vou revisitar um dos lugares mais sensacionais e simples que
já fotografei, e bem aqui, do ladinho.
A opção mais fácil de chegar a Tavares (ou a Mostardas, ambas
cidades que dividem os melhores cenários da Lagoa dos Patos/do
Peixe), é seguir pela Freeway e na altura da Estrada do Mar, entrar
para a BR 101 Sul e seguir, apreciando o Parque Eólico que com seus
gigantes nos faz lembrar de Dom Quixote.
A estrada te levará tranquilamente por paisagens verdes, povoadas de
pássaros de várias espécies, que te fazem querer parar a todo
instante. Quando fui até lá, era um deserto, passavam-se
quilômetros até encontrar outro carro. Vá de tanque abastecido e
veículo revisado, pois o movimento é bem fraco de uma altura em
diante. A estrada no geral está boa, mas é sempre bom ter atenção
em alguns trechos por conta de desníveis e um ou outro buraco.
Tavares é um pequeno município gaúcho, com mais ou menos 2.500
habitantes, onde o tempo passa em outra batida. Não há pressa, há
observação. Sim, quem vai a Tavares vai para observar. Observar a
fauna e flora. Como assim?
Como assim, é que a Natureza lá é um capricho. É tanto capricho
que há aves que vêm de lugares tão distantes como o Canadá, só
para descansar e se reproduzir por ali. A fartura de alimento para
esses animais é tanta, que passam temporadas inteiras se alimentando
antes de voltarem à origem. E nesse meio tempo, fazem a festa dos
fotógrafos e dos observadores de pássaros.
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| A beleza está na simplicidade dos cardeais |
Quando fui, era final de novembro – e não vejo a hora de voltar –
então a vida zunia por toda parte.
Tavares é uma localidade tranquila, vá e caminhe, caminhe, caminhe.
É seguro. Mas abra bem os olhos, não por segurança, mas para
absorver tanta beleza e luz.
Vou recomendar o Hotel Parque da Lagoa, do Batista, que é o Master
Guia da região. Sabe tudo, o Batista. O hotel, por sua vez, é
simples, mas muito limpo e organizado, melhor custo/benefício.
Cozinha boa, excelente café da manhã, funcionários sorridentes e
atenciosos.
Lembre-se, estamos em um lugar para pessoas que curtem a Natureza e
se ligam em simplicidade.
Estando em
Tavares, tudo depende da hora em que você chega. Eu cheguei já com
tarde avançada, então só larguei minha bagagem no hotel, peguei
umas informações e fui direto para a Lagoa dos Patos. Caminhei uns
7 quilômetros até chegar ao Farol Capão da Marca. Eita que
caminhava e não chegava nunca. E quando finalmente cheguei, ops, tem
um rio para atravessar. Não me aventurei nele, porque não sabia
onde era o ponto de passagem. Iisso eu descobri no sábado, já com a
turma da Rota Sul, capitaneada pelo Ed. Mas no primeiro dia, fiquei
ali, clicando, fácil de esquecer o tempo passando. Depois, com o sol
já caindo, comecei a voltar. Devo ter chegado aonde estacionei o
carro pelas 21h, não encontrei uma alma nessa caminhada. Era como se
o lugar estivesse ali apenas para mim. Que beleza, não acha?
No sábado, foi
a vez de o pessoal que iria trilhar chegar ao Hotel, acompanhado de
mais três fotógrafos que iriam não para a trilha, mas para a
expedição fotográfica.
Turma formada,
que delícia, subimos na 4x4 do Batista, especialmente preparada para
a galera da fotografia, já que podíamos sentar na gaiolinha e ir
clicando, e pé (para nós, rodas) na estrada.
Primeira parada,
Batista juntou todo o bando e deu uma aula sobre uma coisa que já
tinha me intrigado na vinda pela estrada, que eram campos de Pinus
com pequenas bolsinhas no tronco. O Pinus é uma espécie invasora e
que acabou se tornando a maior fonte de renda na região, na
atualidade. As bolsinhas ficam logo abaixo de cortes feitos nos
troncos, e se enchem de seiva que irá dar origem à diferentes
produtos, de cola à goma de mascar (o popular chiclete).
Após a
explanação, toca rodar, e o pessoal iniciou a trilha, que só iria
terminar muitos quilômetros depois.
Nós, com nosso
equipamento mais pesadinho, seguimos no conforto da caminhonete, e
fomos adentrando lugares que só de 4x4 mesmo. Um deleite para os
olhos e máquinas.
Com o meio-dia
se aproximando, a turma da trilha se reuniu à nossa de novo, e o
Batista levou todos para um almoço pra lá de especial no rancho que
fica à beira da Lagoa dos Patos e pertence à família. Uma dica: lá
eles dispõem de um grande “galpão” que acomoda até 30 pessoas,
caso você queira reunir uma galera e passar uns dias.
Já
reabastecidos, seguimos nas andanças até o Farol Capão da Marca,
que foi inaugurado em 1849, pelo Imperador D. Pedro II, e consta como
ter sido o primeiro farol do Rio Grande do Sul. Um patrimônio
histórico e bem imponente, como você pode constatar nesta foto:
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| Farol Capão da Marca, inaugurado por ele, sim , D. Pedro II |
Anda mais um
pouco, cruzamos o tal rio e chegamos a um Sambaqui, que são montes de restos de cascas de mariscos e outros ossos, que os índios
iam amontoando.
E o gran
finale do dia nos
esperava mais adiante, quando todo mundo começou a desconfiar da
pressa do Batista, tocando o povo a caminhar mais rápido, porque
senão iríamos perder o pôr do sol. Hummm…
Surpresa, estava
nos aguardando uma mesa linda linda, com frutas e espumante. Que
delícia. Pensa na felicidade do povo depois de caminhar tanto. E o
Sol cumpriu direitinho com sua parte…
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Pensa na felicidade desse pessoal
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Pessoal da
fotografia se reuniu e resolveu esperar a hora azul, pra flagrar a
Via Láctea, musa das noites. E foi bem bacana. E haja paciência do
Batista, que depois teve que retornar e resgatar os fotógrafos.
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Carros voltando do Farol
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Dito tudo isso,
encerramos o primeiro dia.
Corta pro
segundo. Domingão, sol a pino, eu madruguei e fui até a beira da
Lagoa clicar mais uns pássaros. Depois, nos encaminhamos todos para
a Trilha do Talha Mar. Galera da trilha seguiu a pé, e nós na
gaiolinha. Fomos incomodando quero-queros, e outros animais que
apareceram.
O reencontro de
todos se deu nas Dunas. Gente, que é aquilo? Coisa mais linda...nem
vou falar nada, só vou deixar você curtir.
Mais uma trilha
até chegarmos na praia.
Um pequeno corte
para dizer que o Parque Nacional da Lagoa do Peixe engloba a Laguna
(ou lagoa) dos Patos e a Lagoa do Peixe. Lugar protegido, e assim
deve permanecer. Faça sua parte quando for visitar, não deixe
restos, não leve nada, a não ser muita, muita fotografia e
lembranças de um meio ambiente fabuloso.
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| Chegando na Vila dos Pescadores, fim da trilha do Talha-Mar |
Chegando na praia, mais mesão
com frutas e líquidos. Como nos tratou bem, o Batista. Busque o
contato dele em Lagoas Expedições e Turismo, você certamente
estará em boas mãos para descobrir esse paraíso ecológico.
A praia estava lotadinha de
caravelas portuguesas, lindas, mas venenosas, whatch out!
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| Olhe onde pisa |
Quilômetros nos levaram por
ruínas das antigas casas dos pescadores. Alguns animais marinhos
mortos na areia são uma figura triste, mas estão na paisagem.
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| Lembranças do passado |
E chegando lá, se descortina
aquela Lagoa tão linda, onde lá no fundão, os teus olhos até te
enganam, estavam os flamingos.
Infelizmente, a pessoa não
levou as galochas, que acabaram ficando no porta-malas do veículo
(pouca prática!!!). E não me encorajei a atravessar de pés
descalços naquela areia molinha, com medo de cair e afundar com
minha máquina/lente que é tão sofrido pra comprar. Fica pra
próxima. Mas teve fotógrafo que fez bonito e captou os bichinhos.
E então era hora de voltar.
Mas foi um dos passeios mais
legais a que a fotografia me levou. Foi um encantamento só, e não
vejo a hora de repeti-lo. Faltou ver muita coisa, outros faróis que
adornam a região, enfim, 2 dias e meio é pouca coisa pra tanta
Natureza.
Fica a dica se você gosta de
trilhar, procure o pessoal da Rota Sul, fale com o Ed, você estará
em segurança para fazer suas andanças:
(https://www.rotasuladventure.com.br/).
E lá em Tavares, procure o Batista:
(http://www.lagoadopeixe.com.br/web/index.php).
E se gostou desse post, deixe
um comentário, se não gostou, deixe também, pra eu saber como
melhorar. E até o próximo passeio!