sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Cambará do Sul - Inverno

 

Cambará do Sul - Inverno


-29.04947, -50.14346 gastronomia e cores


Lajeado das Margaridas

Vamos continuar nossa viagem por Cambará do Sul, mas trocando a estação...vamos de inverno, que é o melhor momento para estar na serra. Quem não gosta? Melhor momento para degustar vinhos, saborear os pratos típicos. Nhamm..me deu fome.

Lá no post anterior, estacionamos no Circuito das Águas. Só que essas águas não se resumem àquelas. Você só precisa estar atento ao redor e sempre encontrará lugares especiais. Vou abrir o post te mostrando o Lajeado das Margaridas, que fica numa propriedade privada, mas o caseiro está sempre pela porteira, e se ele autorizar, enjoy, é um dos lugares mais bonitos da região. E o que é melhor, vazio.


No caminho para o Lajeado das Margaridas você deve ir parando, pois algumas das paisagens são tão sensacionais. Quando eu estive lá, fui muito cedo, antes das 07h da manhã, então a luz já era especial. E é um momento muito seu, ficar contemplando e ouvindo apenas o som da natureza.


No inverno deste ano, minha ida a Cambará foi no mês de maio, e já estava bastante frio, o objetivo era participar do Workshop de Astrofotografia do Prof. Egon Filter, que está construindo um centro especial para observação e ensino de astrofotografia. Não podia deixar de mostrar a foto que eu intitulei de “Araucária Dançarina”, depois que um colega de outro curso me alertou que ela o lembrou de uma foto do German Lorca, que ele assim intitulou.

Minha araucária dançarina

Também comentei no outro post que eu havia me hospedado na Pousada Recanto dos Amigos, que são cabaninhas muito muito simples, mas ali perto fica um restaurante, que não é bem restaurante, que é o Parrilla do Seu Carlos e fica nesta casa aí que aparece no canto da foto. Recebe até globais que fecham o local apenas para seu deleite. Ali pertinho fica esse monte, ou cerro, de onde fiz a foto. Vale a pena subir bem cedinho, como eu, pelas 06h e uns quebrados, para ver e fotografar o cinturão de Vênus que são essas corres lindas e fugazes no horizonte, e que duram poucos minutos.

A Parrilla do Seu Carlos é nessa casa à esquerda

Em algumas propriedades você pode colher seu próprio pinhão. Pinhãozinho fresco e assado na chapa, que delícia. E o melhor é que você mesmo pode assar no calor de sua cabana, se você a tiver equipada com uma chapa.

Nessa mesma trip, fomos fotografar na Cachoeira dos Venâncios, que você conheceu no post anterior, e tivemos a fantástica aparição da ISS (Estação Internacional Espacial), que na maluquice de suas órbitas completas a cada 90 minutos, naquela noite passou cedinho, como se fosse uma bola na altura de um avião, e rendeu belas imagens. Mas a mais bonita é aquela que ficou na memória. Lembrando que estávamos fotografando a 4 graus, e dentro da água. Tão agradável!

A danadinha da ISS cruzando o céu feito bólido

Vou repetir pra você a dica das trutas, não deixe de saboreá-las. Vai saber quando vai encontrar trutas de novo. E se alguém oferecer truta ao molho de manteiga com fatias de pinhão, bem, não recuse. E depois me diga se gostou.

Cambará é cheia de propriedades particulares que abrem para os turistas conhecerem as cachoeiras, que são tantas. Vá atento ao caminho e sempre que houve uma placa indicando cachoeira do tio…, lajeado etc., não tenha vergonha, vá simpático e sorridente e tente descobrir se é acessível. Sendo, entre e seja discreto, não seja estridente, não leve nada além de fotos e sua memória repleta de sons e cheiros. E de uma visão deslumbrante, é claro.

Café da manhã na Pousada
Pousada Recanto dos Amigos
               






Descubra sua própria Cambará, você vai se encantar, não há dúvida.



domingo, 15 de agosto de 2021

Cambará do Sul - Verão

Cambará do Sul - Verão -

29.04947, -50.14346 Circuito das Águas
Alguns lugares merecem não um, mas dois posts. Sim, Cambará do Sul é um desses lugares. Quase três, porque mais adiante vou postar sobre Praia Grande e, veja só, subi de novo para Cambará. Mas aí será outra história. 
Pela ordem cronológica, vou falar primeiro de Cambará do Sul no Verão. Foi minha primeira ida à essa pequena cidadezinha da região dos Canyons, e ela não estava na moda como está agora. Há uma enxurrada de programas de televisão sobre turismo, todos vendendo Cambará do Sul como um pequeno paraíso a explorar. E não é que eles têm razão? Vamos dar uma olhada… 
Para chegar a Cambará do Sul você tem vários caminhos, basta colocar no seu aplicativo preferido e não há erro. Pela 116, passando por Novo Hamburgo, o caminho está à direita até Taquara, lá, procure a RS 020 e suba. Estradinha sinuosa, tem que ter muita atenção, mas ah, o visual...vá preparado para parar muito e curtir alguns cenários impressionantes. Ali pertinho também fica o Templo Budista Chagdud Gonpa Khadro Ling – Templo Budista de Três Coroas (aguarde, ainda escreverei sobre ele). Você passará pela simpática São Francisco de Paula, à qual dedicarei um texto em outro momento, mas se estiver com tempo, é outro lugar muito bacana que merece uns dois dias. Mas hoje o objetivo é Cambará do Sul, então vamos seguindo, até chegar no trevo de Tainhas, onde você irá virar à esquerda e seguirá até nosso objetivo. Obviamente, a essa altura seus olhos estarão se acostumando com essa paisagem de encher os olhos. Chegou? Bom, então vamos começar com algumas dicas de hospedagem. O que não faltam são bons lugares para ficar. 
Posso comentar sobre dois lugares com propostas bem diferentes, nos quais fiquei. Na primeira ida, eu e o marido ficamos na Pousada Cafundó, que fica na estrada para o Canyon Fortaleza. O lugar é um show, como você pode conferir na foto abaixo. Soube que houve troca de proprietários, então não saberia dizer no que foi afetada a hospedagem, mas o restaurante era muito bom, numa noite fria de verão, tomei o melhor chocolate quente com conhaque da vida. Lugar bem sossegado, e o atendimento era bem simpático.
A simpática Pousada Cafundó
Outra opção são as cabanas. Na última ida a Cambará, com outra proposta – aguarde o post do Inverno - me hospedei na Pousada Recanto dos Amigos. Atendimento 10, só que a hospedagem muito muito simples. Não vá esperando muito. Mas a cabana é individual, tem banheiro com banho bem quentinho, e o silêncio é absurdo. Tudo depende do quanto conforto você busca. O café da manhã é ótimo, daqueles bem campeiros, e o passeio a cavalo é famoso.
Pausa para falarmos sobre a cidade em si, pequenina, mas com várias histórias saborosas. 
Sabia que bem ali no centro fica uma Sequoia que já viajou à Lua? É, meu amigo, é verdade. Em 1971, a Nasa enviou a missão Apollo 14 para a Lua, recheada de várias sementes. E não é que uma delas voltou e foi plantada ali, no coração de Cambará do Sul? Como?, Ah, vá lá, você terá que ir a Cambará e ouvir a história no local, contada pelos moradores, que fica muito mais interessante. Te dei a dica, agora vai lá e busca, que tem mais sabor. 
Falando em sabor, gosta de truta? Então está no lugar certo. Trutas são peixes que sinalizam a qualidade da água, pois só sobrevivem onde a água for livre de poluição, e fria, e aí elas estão no lugar certo, pois as águas lá de cima são espetaculares nesses quesitos. Então recomendo o rodízio de trutas do Restaurante Galeteria O Casarão. Não deixe de provar. Você terá uma excelente experiência. Fica a dica de que eles não aceitam cartões, ok? Mas hoje o Pix resolve fácil.
Mas vamos ao que interessa, os roteiros de aventura. Cambará do Sul tem roteiros para todos os gostos. Não falta nada. Desde absoluto sossego até adrenalina pura. Eu vou contar sobre os passeios que nós fizemos e espero traduzir um pouquinho, de modo a te inspirar. 
Começando pelo básico, os Canyons. 

O Canyon Fortaleza foi nosso primeiro passeio, mas não vou dedicar muito tempo dessa vez, porque ele estará na aventura de Praia Grande. Mas obviamente, estando lá, não deixe de ir. Na minha opinião, é mais bonito, e antes de subi-lo, deixe-se relaxar com os pés em tantos córregos que estão ali pro seu deleite, só cuide se for um dia de trombas d’água ou um volume um pouco maior, por que já me aconteceu de subir na tranquilidade e voltar com a água nas canelas (vou contar na aventura de Praia Grande). A estrada, este ano, está em fase de pavimentação, então segue bem ruinzinho para chegar lá, mas deve melhorar em seguida. 
Quando fomos, o Parque de Aparados da Serra, que engloba os Canyons, ainda não havia sido privatizado, o que ocorreu este ano. Então algumas modificações devem ocorrer, esperamos que para melhor. Não há estrutura básica nenhuma no Fortaleza, apenas controle de entrada e saída. Banheiro é ali nas moitas mesmo. E ainda deve ser observada a limitação devido a Pandemia, fique atento, há limite de entrada e aberto de quarta a segunda-feira. 
Dê uma espiada no link e se informe: 
 https://www.icmbio.gov.br/parnaaparadosdaserra/guia-do-visitante.html 


Então vamos falar do Itaimbezinho, o clássico dos clássicos. A estrada que leva ao Canyon mais famoso é bem danada, na primeira vez que fomos, foi um sofrimento, pois as pedras eram grandes e são vários quilômetros desde a cidade até a entrada do Parque. Pelo caminho, você verá o famoso Parador Casa da Montanha, hotel exclusivíssimo. E se gostar de geléias, pode dar uma chegadinha na Sabores da Querência, que fabrica geléias artesanais. Vale muito conhecer. 
Nós optamos por contratar um guia, o que é sempre interessante dependendo do quanto você está interessado em conhecer detalhes, e isso ajuda os locais. Em geral, há um dia na semana que não abre, no site, o aviso é de terça-feira. Máscaras são obrigatórias. Chegando ao parque, estacione seu veículo e prepare-se para caminhar, levando seu celular ou máquina. No parque você tem área de descanso e banheiros no centro de visitantes. Pela trilha da direita, você irá avançar até a famosa e clássica das fotos, Trilha do Cotovelo. Seguindo pela esquerda de quem entra, você vai até o Mirante Cachoeira das Andorinhas. 
Por qualquer lugar que vá, o encantamento é garantido. As trilhas são bem demarcadas, há bancos espalhados, enfim, é um lugar de contemplação. 
 Depois dessa maravilha toda, nós optamos por fazer o Circuito das Águas, contratado na Canyon Turismo. Os preços estão bem mais salgados, lembra que Cambará está na moda né? É essencial que você faça esses passeios com guias, pois embora em alguns lugares você possa acessar tranquilamente, embora esteja em uma propriedade privada, em outros você precisa do conhecimento especializado para fazer as travessias e não sair boiando por aí no seu carro. Pensa que é brincadeira? Pergunta pros locais. O Circuito das águas no verão é uma delícia, você pode levar roupa de banho tranquilamente, pois embora a água não seja muito quente, vale a pena a experiência. 
Essa lindeza é a Cascata dos Venâncios, não na mesma viagem, na de inverno, mas é que sendo tão linda, merece duas fotos

Provavelmente a primeira parada será na Cascata dos Venâncios, que fica na propriedade da família, hoje já mais profissional, abriram um pequeno local para refeições. Experimente os pastéis feitos na hora, deliciosos. Na minha primeira ida, o pastel era pedido ali na porteira mesmo, agora, você já pode sentar e descansar um pouco, antes de se aventurar na pirambeira que leva às águas. Pode descer de carro, sim, até a beira da queda d’água. O guia irá te contar sobre o local, então não vamos estragar o assunto. Só olha um pouco e me diz se não é bonito? 

Segue o passeio, que normalmente leva a tarde toda, talvez mais, então não esqueça de levar lanche, água etc. Repelente e protetor, então, nem vou falar nada, que você não é amador, certo? Toca para o Passo do S, lembrando que tudo é longe, você vai passar um bom tempo andando de 4x4 e admirando belas paisagens. 
Comerciais de veículos são produzidos no Passo do S
No passo do S, só tendo a manha para atravessar. Nosso guia parou para admirarmos a Cascata. 


Depois, o último destino é o Passo da Ilha, onde você tem mais tempo para ficar na água. Aproveite a massagem deliciosa que as águas fazem nos seus pés. Se o dia estiver bonito, tudo estará perfeito. Ali na ilha há uma área de camping.


 Aproveite, pois a Natureza é tão generosa nesses lugares, que vai ficar gravado para sempre na sua memória. Como o post se alongou, vamos deixar Cambará do Sul – Inverno, para semana que vem. Espero ter despertado em você a vontade para ir para esse lugar tão encantador. Se gostou, deixe aí um comentário, pergunta, o que quiser. Terei prazer em responder.

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Lagoa dos Patos - Lagoa do Peixe

 

Lagoa dos Patos / Lagoa do Peixe – Tavares RS –

31° 30′ 03″ S, 51° 11′ 15″ O – mergulhando no berçário da vida


Bem, enquanto minhas andanças não recomeçam, vamos de lembranças. E hoje vou revisitar um dos lugares mais sensacionais e simples que já fotografei, e bem aqui, do ladinho.

A opção mais fácil de chegar a Tavares (ou a Mostardas, ambas cidades que dividem os melhores cenários da Lagoa dos Patos/do Peixe), é seguir pela Freeway e na altura da Estrada do Mar, entrar para a BR 101 Sul e seguir, apreciando o Parque Eólico que com seus gigantes nos faz lembrar de Dom Quixote.

A estrada te levará tranquilamente por paisagens verdes, povoadas de pássaros de várias espécies, que te fazem querer parar a todo instante. Quando fui até lá, era um deserto, passavam-se quilômetros até encontrar outro carro. Vá de tanque abastecido e veículo revisado, pois o movimento é bem fraco de uma altura em diante. A estrada no geral está boa, mas é sempre bom ter atenção em alguns trechos por conta de desníveis e um ou outro buraco.

Tavares é um pequeno município gaúcho, com mais ou menos 2.500 habitantes, onde o tempo passa em outra batida. Não há pressa, há observação. Sim, quem vai a Tavares vai para observar. Observar a fauna e flora. Como assim?

Como assim, é que a Natureza lá é um capricho. É tanto capricho que há aves que vêm de lugares tão distantes como o Canadá, só para descansar e se reproduzir por ali. A fartura de alimento para esses animais é tanta, que passam temporadas inteiras se alimentando antes de voltarem à origem. E nesse meio tempo, fazem a festa dos fotógrafos e dos observadores de pássaros.

A beleza está na simplicidade dos cardeais

Quando fui, era final de novembro – e não vejo a hora de voltar – então a vida zunia por toda parte.

Tavares é uma localidade tranquila, vá e caminhe, caminhe, caminhe. É seguro. Mas abra bem os olhos, não por segurança, mas para absorver tanta beleza e luz.

Vou recomendar o Hotel Parque da Lagoa, do Batista, que é o Master Guia da região. Sabe tudo, o Batista. O hotel, por sua vez, é simples, mas muito limpo e organizado, melhor custo/benefício. Cozinha boa, excelente café da manhã, funcionários sorridentes e atenciosos.

Lembre-se, estamos em um lugar para pessoas que curtem a Natureza e se ligam em simplicidade.

Estando em Tavares, tudo depende da hora em que você chega. Eu cheguei já com tarde avançada, então só larguei minha bagagem no hotel, peguei umas informações e fui direto para a Lagoa dos Patos. Caminhei uns 7 quilômetros até chegar ao Farol Capão da Marca. Eita que caminhava e não chegava nunca. E quando finalmente cheguei, ops, tem um rio para atravessar. Não me aventurei nele, porque não sabia onde era o ponto de passagem. Iisso eu descobri no sábado, já com a turma da Rota Sul, capitaneada pelo Ed. Mas no primeiro dia, fiquei ali, clicando, fácil de esquecer o tempo passando. Depois, com o sol já caindo, comecei a voltar. Devo ter chegado aonde estacionei o carro pelas 21h, não encontrei uma alma nessa caminhada. Era como se o lugar estivesse ali apenas para mim. Que beleza, não acha?


No sábado, foi a vez de o pessoal que iria trilhar chegar ao Hotel, acompanhado de mais três fotógrafos que iriam não para a trilha, mas para a expedição fotográfica.

Turma formada, que delícia, subimos na 4x4 do Batista, especialmente preparada para a galera da fotografia, já que podíamos sentar na gaiolinha e ir clicando, e pé (para nós, rodas) na estrada.

Primeira parada, Batista juntou todo o bando e deu uma aula sobre uma coisa que já tinha me intrigado na vinda pela estrada, que eram campos de Pinus com pequenas bolsinhas no tronco. O Pinus é uma espécie invasora e que acabou se tornando a maior fonte de renda na região, na atualidade. As bolsinhas ficam logo abaixo de cortes feitos nos troncos, e se enchem de seiva que irá dar origem à diferentes produtos, de cola à goma de mascar (o popular chiclete).


Após a explanação, toca rodar, e o pessoal iniciou a trilha, que só iria terminar muitos quilômetros depois.

Nós, com nosso equipamento mais pesadinho, seguimos no conforto da caminhonete, e fomos adentrando lugares que só de 4x4 mesmo. Um deleite para os olhos e máquinas.



Com o meio-dia se aproximando, a turma da trilha se reuniu à nossa de novo, e o Batista levou todos para um almoço pra lá de especial no rancho que fica à beira da Lagoa dos Patos e pertence à família. Uma dica: lá eles dispõem de um grande “galpão” que acomoda até 30 pessoas, caso você queira reunir uma galera e passar uns dias.

Já reabastecidos, seguimos nas andanças até o Farol Capão da Marca, que foi inaugurado em 1849, pelo Imperador D. Pedro II, e consta como ter sido o primeiro farol do Rio Grande do Sul. Um patrimônio histórico e bem imponente, como você pode constatar nesta foto:

Farol Capão da Marca, inaugurado por ele, sim , D. Pedro II
Anda mais um pouco, cruzamos o tal rio e chegamos a um Sambaqui, que são  montes de restos de cascas de mariscos e outros ossos, que os índios iam amontoando.

E o gran finale do dia nos esperava mais adiante, quando todo mundo começou a desconfiar da pressa do Batista, tocando o povo a caminhar mais rápido, porque senão iríamos perder o pôr do sol. Hummm…

Surpresa, estava nos aguardando uma mesa linda linda, com frutas e espumante. Que delícia. Pensa na felicidade do povo depois de caminhar tanto. E o Sol cumpriu direitinho com sua parte…


Pensa na felicidade desse pessoal

Pessoal da fotografia se reuniu e resolveu esperar a hora azul, pra flagrar a Via Láctea, musa das noites. E foi bem bacana. E haja paciência do Batista, que depois teve que retornar e resgatar os fotógrafos.

Carros voltando do Farol

Dito tudo isso, encerramos o primeiro dia.

Corta pro segundo. Domingão, sol a pino, eu madruguei e fui até a beira da Lagoa clicar mais uns pássaros. Depois, nos encaminhamos todos para a Trilha do Talha Mar. Galera da trilha seguiu a pé, e nós na gaiolinha. Fomos incomodando quero-queros, e outros animais que apareceram.

O reencontro de todos se deu nas Dunas. Gente, que é aquilo? Coisa mais linda...nem vou falar nada, só vou deixar você curtir.

Mais uma trilha até chegarmos na praia.

Um pequeno corte para dizer que o Parque Nacional da Lagoa do Peixe engloba a Laguna (ou lagoa) dos Patos e a Lagoa do Peixe. Lugar protegido, e assim deve permanecer. Faça sua parte quando for visitar, não deixe restos, não leve nada, a não ser muita, muita fotografia e lembranças de um meio ambiente fabuloso.

Chegando na Vila dos Pescadores, fim da trilha do Talha-Mar
Chegando na praia, mais mesão com frutas e líquidos. Como nos tratou bem, o Batista. Busque o contato dele em Lagoas Expedições e Turismo, você certamente estará em boas mãos para descobrir esse paraíso ecológico.


A praia estava lotadinha de caravelas portuguesas, lindas, mas venenosas, whatch out!

Olhe onde pisa

Quilômetros nos levaram por ruínas das antigas casas dos pescadores. Alguns animais marinhos mortos na areia são uma figura triste, mas estão na paisagem.

Lembranças do passado

E chegando lá, se descortina aquela Lagoa tão linda, onde lá no fundão, os teus olhos até te enganam, estavam os flamingos.



Infelizmente, a pessoa não levou as galochas, que acabaram ficando no porta-malas do veículo (pouca prática!!!). E não me encorajei a atravessar de pés descalços naquela areia molinha, com medo de cair e afundar com minha máquina/lente que é tão sofrido pra comprar. Fica pra próxima. Mas teve fotógrafo que fez bonito e captou os bichinhos.

E então era hora de voltar.

Mas foi um dos passeios mais legais a que a fotografia me levou. Foi um encantamento só, e não vejo a hora de repeti-lo. Faltou ver muita coisa, outros faróis que adornam a região, enfim, 2 dias e meio é pouca coisa pra tanta Natureza.

Fica a dica se você gosta de trilhar, procure o pessoal da Rota Sul, fale com o Ed, você estará em segurança para fazer suas andanças: 

(https://www.rotasuladventure.com.br/). 

E lá em Tavares, procure o Batista:

(http://www.lagoadopeixe.com.br/web/index.php).



E se gostou desse post, deixe um comentário, se não gostou, deixe também, pra eu saber como melhorar. E até o próximo passeio!

domingo, 8 de agosto de 2021

Riozinho - Chuvisqueiro

Riozinho



Chuvisqueiro

29 ° 34 ′ 55 ″ S , 50 ° 25 ′ 30 ″ W  

Então vamos passear por um lugar “muito tri” como dizem os gaúchos.

Em 2020 foi a primeira vez que ouvir falar da Cascata do Chuvisqueiro. Santa ignorância! Só para variar, foi a fotografia que me levou lá. Na primeira saída para astrofotografia, que você pode conferir logo abaixo (não é que saiu direitinho, sendo a primeira? Mérito do nosso Master Professor, Egon Filter).

A Via Láctea sempre dando show

Bom, você tem várias opções para chegar lá. Eu saí de Montenegro e fui em direção a Novo Hamburgo, deixando a 116 e pegando a RS239 , segui até Taquara, e depois até Rolante. Como sempre, vá admirando a paisagem. Passe por Rolante e siga até Riozinho, vá prestando atenção nas montanhas que ladeiam a estradinha. Na minha primeira ida, peguei o sol se pondo sobre os campos, e foi fantástico.

Se você sair de Porto Alegre, o caminho pode ser outro, até Gravataí pela Freeway e depois pela RS020 até Taquara. Lá você vai chegar na mesma RS239, e segue igual.

Quando a estradinha passa a ser de chão (Estrada do Chuvisqueiro, mais ou menos 10km), tome cuidado, há lugares que margeiam o rio e algumas pirambeiras, então todo cuidado é necessário.

Há muito que parar e aproveitar, pois a cor do rio beira um verde esmeralda, muitas “pinguelas” como a gente chama as pequenas pontes pênseis lá na minha terra, então tudo é motivo para parar e fotografar, ou apenas observar.

Brincando de infravermelho

Um pouco antes chegar na Chuvisqueiro, você vai ver a Tenda da Bike, administrada por uma gentil cozinheira, e que faz sanduíches fabulosamente grandes...vale a pena conferir depois das trilhas, já que a fome deve apertar.

Lá na entrada para a Cascata do Chuvisqueiro, você paga a entrada que estava em R$15,00 em fevereiro/21. Tranquilo para estacionar, prepare-se, se você prestou atenção lá da estrada já deve ter visto a Chuvisqueiro, mas agora você já ouve o rugir da água.

E então você a vê: a Cascata do Chuvisqueiro! 76 metros de altura em que a água despenca com força, formando uma cortina branca envolvida por um rochedo de tom alaranjado, muita vegetação, um espetáculo aos olhos. Mas o segredo é estar lá à noite e poder vê-la coroada pelas estrelas. Aí o olhar é outro, te garanto.


Mas, se você só quer curtir, senta e relaxa. Ali há algumas churrasqueiras e tal. Quem gosta de sossego, a época certa a ir não é o verão. Vá fora de época, e curta o sossego. Não se limite à Cachoeira, pois há paragens lindas ao redor, seguindo o riacho.

Se você estiver com tempo, logo em frente fica o Camping das Três Pedras, e adiante a Cascata das Três Quedas. Aliás, a região toda é rodeada de cascatas incríveis (das Borboletas, do Sossego, do Quebra Cabo), mas hoje o post é dedicado a Chuvisqueiro e Andorinhas (logo abaixo).

 E vá prestando atenção, por que os, como eu chamo, “berçários de borboletas” podem estar no meio da estrada. É fora de série chegara pé ante pé e fazer as borboletas voarem ao seu redor. Experimente!

Grupos de borboletas estão por toda parte


Cascata das Andorinhas

29°34’14.2″S+50°28’53.4″W - a magia da luz

Revelada a Chuvisqueiro, volte pelo mesmo caminho, e quando chegar numa ponte que parece uma laje, pegue à direita e no Bolicho do Valandro, siga à esquerda. Logo vai ter que largar o carro e seguir a pé. A trilha não é longa, mas é exigente, leve água e calçado adequado, passe repelente. Muita lama, e aí, meu amigo, preste atenção, porque qualquer escorregão pode te machucar, palavra de quem entende – busca o Post da Praia da Teresa que vai me entender.

No fim do primeiro trecho da trilha, é necessário cruzar o rio, vá com atenção. Mais alguns metros e você chega nesse deslumbre que é a Cascata das Andorinhas – necessário cruzar o rio de novo. A Andorinhas é especial. Ao meio-dia você tem o encantamento do sol iluminando o interior da cascata, é uma visão de tirar o fôlego.

Uma foto não faz jus, precisa estar lá

Novamente, pense se você quer companhia ou prefere mais sossego. Obviamente, no verão tem gente demais. Fica difícil conseguir um cantinho pra pensar sossegado. O fato é que estando ali, o tempo passa diferente, e quando você vê, precisa voltar. Mas é aquilo que eu digo, precisa ir e experimentar o seu olhar.

A Andorinhas não é alta, em torno de 10 metros. Mas a caverna magnífica e a luz que entra fazem a mágica acontecer.


Um capricho que a Mãe Natureza levou milhares de anos construindo, e está ali pra você. Curta, respire, mas não deixe restos, cumpra seu papel de ser humano consciente.

Na volta você estará energizado e em paz. Nem sentirá as pedras e o sobe e desce da trilha.

Volte zen.

Uma curva simples na estrada, e um visual incrível, fique atento

E se gostou, deixe um comentário, me ajudando a construir os próximos textos.

Logo seguiremos para outro lugar bacana. Vem comigo?


quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Minas do Camaquã

30°50'12.0"S 53°30'06.8"W, mergulhando
Guardiões, estranhos formatos, orangotangos, você escolhe, tem pra todos os gostos, ou melhor, todos os olhares
Povoado, vilarejo, cidadezinha, você escolhe, afinal, o olhar é seu, a impressão também. Nenhum rótulo que você adote vai diminuir o impacto de conhecer este lugar que tem uma energia meio misteriosa. Seguindo de Porto Alegre pela BR 290, cruze a Ponte do Guaíba (sempre guiando seu olhar pelo horizonte que se descortina e expõe as belas ilhas e o Delta), siga até encontrar a BR 153 (olha a Transbrasiliana aí de novo – se você não leu ainda, dá uma olhada no post sobre o Parque Witeck (https://omundoporaiqueeuvejo.blogspot.com/2021/08/blog-post.html), e vá curtindo a paisagem. São campos e campos sem fim, coisas e coisas a admirar. Você deve pegar um trânsito mais pesado até Butiá, são muitos caminhões, mas depois fica tranquilo. Não se descuide e abasteça o veículo no Posto Laranjeiras da BR290, ali, aproveite e abasteça também com um pastel feito na hora que combate a fome. Lá pelas tantas, numa semi-rótula (tem isso?), onde a BR153 está à esquerda, e em frente volta a ser BR290, bom, fique à direita na rótula e continue na 153. Serão mais alguns quilômetros até você encontrar a placa que sinaliza, à esquerda, a Estrada 625 (chão batido). Bem-vindo, você está quase lá.
Vá devagar e curta cada cantinho que aparece. Existem construções coloniais que merecem uma parada. E as Guaritas? Bem, assunto e fotos à parte, logo abaixo. 
Antes de iniciar uma viagem, é sempre bom dar uma pesquisada sobre o local, conhecer um pouco sobre o lugar, e chegar já sabendo o que pode garimpar. E em Minas do Camaquã, certamente irá garimpar. A cidade tem uma história saborosa que você pode conferir em vários sites espalhados pela internet, mas resumindo em uma linha, foi criada devido à descoberta das minas de cobre, explorada e desenvolvida pelo milionário Baby Pignatari (família Matarazzo lhe diz alguma coisa?), cuja casa ainda está lá, e agora, de 5.000 moradores viu-se reduzida a menos de 500 (casas ótimas, totalmente fechadas), até um “saloon” que era o cinema da cidade, ainda está lá. De tudo que li, qualidade de vida era prioridade para os habitantes locais.
O saloon que era o cinema, ainda está lá
É sério, é uma energia muito bacana, mas é desolador ver que a cidade luta pra resistir ao abandono. Mas o que nos interessa são as formações rochosas que compõem esta louca paisagem. Ainda antes de chegar à cidade, você verá o Cerro do Martins, à direita. Ali se encontra a Casa Cinematográfica, construída para as filmagens do filme “Valsa para Bruno Stein”.
A casa cinematográfica nas Guaritas
Nesse sítio, fizemos nossa aula Masterclass de Astrofotografia, com o Professor Dr. Spock, ops, Egon Filter. Gente boa demais, é o professor caçador de Via Láctea que nos leva a esses lugares fantásticos. Valeu, teacher!
A Via Láctea em sua glória à 01h da matina
Continue em frente, ao chegar à cidade, posso indicar a pequena pousada da Guacira e do Paulo, Bellamina Pousada e Restaurante, gentis e caprichosos. Simples, mas nota 10 em atendimento. Ali na própria pousada começa a aventura, já que eles estão localizados nas ruínas da usina de cobre, ladeados por formações. Como eu curto uma pareidolia, na minha frente estava um sapo gigante!
Quem mais vê um sapo sentado?
Subindo na pedra logo atrás da pousada, você terá uma bela visão da cidade, cortada pelo rio. Converse com o pessoal, e irão surgir histórias bem interessantes de avistamentos.
Atravessando o rio logo após a pousada, você encontra um camping e refúgio para escaladores. Muitas são as trilhas, tudo muito tranquilo e sem aglomeração, como pedem os tempos atuais.
Lagos formados em minas abandonadas, refletindo o sol e o céu à noite, com seus diamantes da Lucy. Só indo lá para você conferir. A noite é um espetáculo só, e na minha opinião, o que há de melhor num lugar assim. Deite nas pedras, leve um bom agasalho, e respire, respire. É um lugar para reciclar ideias, aprofundar seus pensamentos e receber toda a energia de uma Natureza sensacional. Divirta-se!

34°28 " S do ′ 17 57°50 " W do ′ 39 Vamos ao Uruguay? Que o Uruguay é pequeno e encantador todo mundo sabe. Que tem uma excelente ...