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quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Lagoa dos Patos - Lagoa do Peixe

 

Lagoa dos Patos / Lagoa do Peixe – Tavares RS –

31° 30′ 03″ S, 51° 11′ 15″ O – mergulhando no berçário da vida


Bem, enquanto minhas andanças não recomeçam, vamos de lembranças. E hoje vou revisitar um dos lugares mais sensacionais e simples que já fotografei, e bem aqui, do ladinho.

A opção mais fácil de chegar a Tavares (ou a Mostardas, ambas cidades que dividem os melhores cenários da Lagoa dos Patos/do Peixe), é seguir pela Freeway e na altura da Estrada do Mar, entrar para a BR 101 Sul e seguir, apreciando o Parque Eólico que com seus gigantes nos faz lembrar de Dom Quixote.

A estrada te levará tranquilamente por paisagens verdes, povoadas de pássaros de várias espécies, que te fazem querer parar a todo instante. Quando fui até lá, era um deserto, passavam-se quilômetros até encontrar outro carro. Vá de tanque abastecido e veículo revisado, pois o movimento é bem fraco de uma altura em diante. A estrada no geral está boa, mas é sempre bom ter atenção em alguns trechos por conta de desníveis e um ou outro buraco.

Tavares é um pequeno município gaúcho, com mais ou menos 2.500 habitantes, onde o tempo passa em outra batida. Não há pressa, há observação. Sim, quem vai a Tavares vai para observar. Observar a fauna e flora. Como assim?

Como assim, é que a Natureza lá é um capricho. É tanto capricho que há aves que vêm de lugares tão distantes como o Canadá, só para descansar e se reproduzir por ali. A fartura de alimento para esses animais é tanta, que passam temporadas inteiras se alimentando antes de voltarem à origem. E nesse meio tempo, fazem a festa dos fotógrafos e dos observadores de pássaros.

A beleza está na simplicidade dos cardeais

Quando fui, era final de novembro – e não vejo a hora de voltar – então a vida zunia por toda parte.

Tavares é uma localidade tranquila, vá e caminhe, caminhe, caminhe. É seguro. Mas abra bem os olhos, não por segurança, mas para absorver tanta beleza e luz.

Vou recomendar o Hotel Parque da Lagoa, do Batista, que é o Master Guia da região. Sabe tudo, o Batista. O hotel, por sua vez, é simples, mas muito limpo e organizado, melhor custo/benefício. Cozinha boa, excelente café da manhã, funcionários sorridentes e atenciosos.

Lembre-se, estamos em um lugar para pessoas que curtem a Natureza e se ligam em simplicidade.

Estando em Tavares, tudo depende da hora em que você chega. Eu cheguei já com tarde avançada, então só larguei minha bagagem no hotel, peguei umas informações e fui direto para a Lagoa dos Patos. Caminhei uns 7 quilômetros até chegar ao Farol Capão da Marca. Eita que caminhava e não chegava nunca. E quando finalmente cheguei, ops, tem um rio para atravessar. Não me aventurei nele, porque não sabia onde era o ponto de passagem. Iisso eu descobri no sábado, já com a turma da Rota Sul, capitaneada pelo Ed. Mas no primeiro dia, fiquei ali, clicando, fácil de esquecer o tempo passando. Depois, com o sol já caindo, comecei a voltar. Devo ter chegado aonde estacionei o carro pelas 21h, não encontrei uma alma nessa caminhada. Era como se o lugar estivesse ali apenas para mim. Que beleza, não acha?


No sábado, foi a vez de o pessoal que iria trilhar chegar ao Hotel, acompanhado de mais três fotógrafos que iriam não para a trilha, mas para a expedição fotográfica.

Turma formada, que delícia, subimos na 4x4 do Batista, especialmente preparada para a galera da fotografia, já que podíamos sentar na gaiolinha e ir clicando, e pé (para nós, rodas) na estrada.

Primeira parada, Batista juntou todo o bando e deu uma aula sobre uma coisa que já tinha me intrigado na vinda pela estrada, que eram campos de Pinus com pequenas bolsinhas no tronco. O Pinus é uma espécie invasora e que acabou se tornando a maior fonte de renda na região, na atualidade. As bolsinhas ficam logo abaixo de cortes feitos nos troncos, e se enchem de seiva que irá dar origem à diferentes produtos, de cola à goma de mascar (o popular chiclete).


Após a explanação, toca rodar, e o pessoal iniciou a trilha, que só iria terminar muitos quilômetros depois.

Nós, com nosso equipamento mais pesadinho, seguimos no conforto da caminhonete, e fomos adentrando lugares que só de 4x4 mesmo. Um deleite para os olhos e máquinas.



Com o meio-dia se aproximando, a turma da trilha se reuniu à nossa de novo, e o Batista levou todos para um almoço pra lá de especial no rancho que fica à beira da Lagoa dos Patos e pertence à família. Uma dica: lá eles dispõem de um grande “galpão” que acomoda até 30 pessoas, caso você queira reunir uma galera e passar uns dias.

Já reabastecidos, seguimos nas andanças até o Farol Capão da Marca, que foi inaugurado em 1849, pelo Imperador D. Pedro II, e consta como ter sido o primeiro farol do Rio Grande do Sul. Um patrimônio histórico e bem imponente, como você pode constatar nesta foto:

Farol Capão da Marca, inaugurado por ele, sim , D. Pedro II
Anda mais um pouco, cruzamos o tal rio e chegamos a um Sambaqui, que são  montes de restos de cascas de mariscos e outros ossos, que os índios iam amontoando.

E o gran finale do dia nos esperava mais adiante, quando todo mundo começou a desconfiar da pressa do Batista, tocando o povo a caminhar mais rápido, porque senão iríamos perder o pôr do sol. Hummm…

Surpresa, estava nos aguardando uma mesa linda linda, com frutas e espumante. Que delícia. Pensa na felicidade do povo depois de caminhar tanto. E o Sol cumpriu direitinho com sua parte…


Pensa na felicidade desse pessoal

Pessoal da fotografia se reuniu e resolveu esperar a hora azul, pra flagrar a Via Láctea, musa das noites. E foi bem bacana. E haja paciência do Batista, que depois teve que retornar e resgatar os fotógrafos.

Carros voltando do Farol

Dito tudo isso, encerramos o primeiro dia.

Corta pro segundo. Domingão, sol a pino, eu madruguei e fui até a beira da Lagoa clicar mais uns pássaros. Depois, nos encaminhamos todos para a Trilha do Talha Mar. Galera da trilha seguiu a pé, e nós na gaiolinha. Fomos incomodando quero-queros, e outros animais que apareceram.

O reencontro de todos se deu nas Dunas. Gente, que é aquilo? Coisa mais linda...nem vou falar nada, só vou deixar você curtir.

Mais uma trilha até chegarmos na praia.

Um pequeno corte para dizer que o Parque Nacional da Lagoa do Peixe engloba a Laguna (ou lagoa) dos Patos e a Lagoa do Peixe. Lugar protegido, e assim deve permanecer. Faça sua parte quando for visitar, não deixe restos, não leve nada, a não ser muita, muita fotografia e lembranças de um meio ambiente fabuloso.

Chegando na Vila dos Pescadores, fim da trilha do Talha-Mar
Chegando na praia, mais mesão com frutas e líquidos. Como nos tratou bem, o Batista. Busque o contato dele em Lagoas Expedições e Turismo, você certamente estará em boas mãos para descobrir esse paraíso ecológico.


A praia estava lotadinha de caravelas portuguesas, lindas, mas venenosas, whatch out!

Olhe onde pisa

Quilômetros nos levaram por ruínas das antigas casas dos pescadores. Alguns animais marinhos mortos na areia são uma figura triste, mas estão na paisagem.

Lembranças do passado

E chegando lá, se descortina aquela Lagoa tão linda, onde lá no fundão, os teus olhos até te enganam, estavam os flamingos.



Infelizmente, a pessoa não levou as galochas, que acabaram ficando no porta-malas do veículo (pouca prática!!!). E não me encorajei a atravessar de pés descalços naquela areia molinha, com medo de cair e afundar com minha máquina/lente que é tão sofrido pra comprar. Fica pra próxima. Mas teve fotógrafo que fez bonito e captou os bichinhos.

E então era hora de voltar.

Mas foi um dos passeios mais legais a que a fotografia me levou. Foi um encantamento só, e não vejo a hora de repeti-lo. Faltou ver muita coisa, outros faróis que adornam a região, enfim, 2 dias e meio é pouca coisa pra tanta Natureza.

Fica a dica se você gosta de trilhar, procure o pessoal da Rota Sul, fale com o Ed, você estará em segurança para fazer suas andanças: 

(https://www.rotasuladventure.com.br/). 

E lá em Tavares, procure o Batista:

(http://www.lagoadopeixe.com.br/web/index.php).



E se gostou desse post, deixe um comentário, se não gostou, deixe também, pra eu saber como melhorar. E até o próximo passeio!

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