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sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Cambará do Sul - Inverno

 

Cambará do Sul - Inverno


-29.04947, -50.14346 gastronomia e cores


Lajeado das Margaridas

Vamos continuar nossa viagem por Cambará do Sul, mas trocando a estação...vamos de inverno, que é o melhor momento para estar na serra. Quem não gosta? Melhor momento para degustar vinhos, saborear os pratos típicos. Nhamm..me deu fome.

Lá no post anterior, estacionamos no Circuito das Águas. Só que essas águas não se resumem àquelas. Você só precisa estar atento ao redor e sempre encontrará lugares especiais. Vou abrir o post te mostrando o Lajeado das Margaridas, que fica numa propriedade privada, mas o caseiro está sempre pela porteira, e se ele autorizar, enjoy, é um dos lugares mais bonitos da região. E o que é melhor, vazio.


No caminho para o Lajeado das Margaridas você deve ir parando, pois algumas das paisagens são tão sensacionais. Quando eu estive lá, fui muito cedo, antes das 07h da manhã, então a luz já era especial. E é um momento muito seu, ficar contemplando e ouvindo apenas o som da natureza.


No inverno deste ano, minha ida a Cambará foi no mês de maio, e já estava bastante frio, o objetivo era participar do Workshop de Astrofotografia do Prof. Egon Filter, que está construindo um centro especial para observação e ensino de astrofotografia. Não podia deixar de mostrar a foto que eu intitulei de “Araucária Dançarina”, depois que um colega de outro curso me alertou que ela o lembrou de uma foto do German Lorca, que ele assim intitulou.

Minha araucária dançarina

Também comentei no outro post que eu havia me hospedado na Pousada Recanto dos Amigos, que são cabaninhas muito muito simples, mas ali perto fica um restaurante, que não é bem restaurante, que é o Parrilla do Seu Carlos e fica nesta casa aí que aparece no canto da foto. Recebe até globais que fecham o local apenas para seu deleite. Ali pertinho fica esse monte, ou cerro, de onde fiz a foto. Vale a pena subir bem cedinho, como eu, pelas 06h e uns quebrados, para ver e fotografar o cinturão de Vênus que são essas corres lindas e fugazes no horizonte, e que duram poucos minutos.

A Parrilla do Seu Carlos é nessa casa à esquerda

Em algumas propriedades você pode colher seu próprio pinhão. Pinhãozinho fresco e assado na chapa, que delícia. E o melhor é que você mesmo pode assar no calor de sua cabana, se você a tiver equipada com uma chapa.

Nessa mesma trip, fomos fotografar na Cachoeira dos Venâncios, que você conheceu no post anterior, e tivemos a fantástica aparição da ISS (Estação Internacional Espacial), que na maluquice de suas órbitas completas a cada 90 minutos, naquela noite passou cedinho, como se fosse uma bola na altura de um avião, e rendeu belas imagens. Mas a mais bonita é aquela que ficou na memória. Lembrando que estávamos fotografando a 4 graus, e dentro da água. Tão agradável!

A danadinha da ISS cruzando o céu feito bólido

Vou repetir pra você a dica das trutas, não deixe de saboreá-las. Vai saber quando vai encontrar trutas de novo. E se alguém oferecer truta ao molho de manteiga com fatias de pinhão, bem, não recuse. E depois me diga se gostou.

Cambará é cheia de propriedades particulares que abrem para os turistas conhecerem as cachoeiras, que são tantas. Vá atento ao caminho e sempre que houve uma placa indicando cachoeira do tio…, lajeado etc., não tenha vergonha, vá simpático e sorridente e tente descobrir se é acessível. Sendo, entre e seja discreto, não seja estridente, não leve nada além de fotos e sua memória repleta de sons e cheiros. E de uma visão deslumbrante, é claro.

Café da manhã na Pousada
Pousada Recanto dos Amigos
               






Descubra sua própria Cambará, você vai se encantar, não há dúvida.



domingo, 1 de agosto de 2021

A Praia da Teresa - 28°31'17.1"S 48°45'42.5"W

 

A Praia da Teresa

28°31'17.1"S 48°45'42.5"W, um pouquinho pra direita.











Essa localização fica num lugar paradisíaco, só lá você terá o olhar certo para entender. Mesmo que eu mostre aqui um pouquinho da beleza do lugar, você precisa estar lá pra sentir.

Depois de um tempo sem férias, marquei uma semana de olho na previsão do tempo, férias curtinhas, marido em home office, companhia certa para eu poder trilhar por Laguna, SC, e não me preocupar. Ele estaria tendo uma visão estupenda, bastaria olhar por cima do monitor, e eu podia carregar minhas lentes e filtros pra lá e pra cá. De vez em quando era só dar uma chegada em casa e estaria tudo certo. Máscaras, lugar sem turismo nessa época.

Um sábado de sol tomando conta do céu, vento sul frio, e lá fomos nós, carro cheio, vinho e espumante, petiscos, laranjas e bananas, máscaras e álcool gel, binóculo, botas de trilha, galochas, livros, um pouquinho de tudo que íamos precisar. O nosso anfitrião do Airbnb já havia avisado para levarmos mantimentos, que na Teresa não tem comércio. Ponto pra Teresa, isso ajuda a mantê-la esguia e sem muvuca.

Deixando a BR 101 em Jaguaruna (SC 100), já começamos a sentir que estávamos esquecendo as preocupações cotidianas de lado. Mais um pouco, e a Estradinha Laguna 50 começa a transição da paisagem. Você começa a ver umas dunas ali, espichando o pescoço outras ali. De repente, à sua esquerda começa a se descortinar uma água azul, lindona, umas casinhas de quem sabe viver, e você começa a se imaginar levando a vida com o barquinho estacionado na varanda.

Ali, numa esquina à direita, enxergamos o Café com Surf, que de cara parece uma simpatia. Mas a pessoa não pode testemunhar nem a favor nem contra, você já vai saber por quê. Mas, calma, mais uma rua pra direita, sobe e desce, desce e sobe de novo, depois desce e...o paraíso se descortina.

A Praia da Teresa é uma prainha pequena, com pouco mais de 50 habitações que cuidam desse lugar com desvelo. Turista deseducado não se cria ali. Aliás, não devia se criar em lugar nenhum. Na Teresa, como eu disse acima, não há comércio, não há ambulantes. Basicamente é uma praia familiar, mas suas ondas são agitadas, a maresia que vem do mar na Teresa não é brinquedo. Forma aquela névoa linda, mas que vai invadindo as casas e corroendo tudo.

Bom, nessas alturas, certos de que o paraíso estava ao alcance da mão, jogamos tudo pra dentro da casa assim que o Gabriel, dono do loft nos recebeu e deu os avisos de praxe, e frisou: não pega celular na praia. Presta atenção nisso: não pega sinal de celular na praia. Pro home office estava garantido, wifi bom, mas lá na praia e mais um pouco, nics, nothing, nada. Traço.

Fomos desbravar a bela Teresa, uma encosta à esquerda, com um costão lindo, que você pode admirar um pouco nas fotos. Na subida fomos sentindo que a Pandemia está nos castigando sem academia. Mas tudo bem, lá em cima você já não sabe pra onde olha, tanta beleza. Ah, como a Natureza sabe ser generosa. Não é porque sou catarinense, mas eita Estado que é caprichado. Souberam fazer, tanto o interior como o litoral. Duvido você discordar.


Descemos a encosta, e como tínhamos subido de tênis, senti que tinha que redobrar o cuidado, pois a encosta é gramada e em alguns pontos tem muita lama, meio que afunda. E é íngreme mesmo. Descer sentado não seria má opção.

Corta pra sábado à noite pra dar a dica de uma comida farta, bem servida e saborosa, garçons gentis, visual 10. Restaurante do Geraldo. Vai lá e confere. Ao lado da travessia do canal, por barco.

Corta pra domingo. Seis e pouquinho da manhã, marido dormindo, já avisado que haveria sessão de fotografia bem cedo, nascer do sol etc...Botei minha mochila nas costas (lente zoom, máquinas, tripé, nem pesado (…). Ainda vi o zelador da praia dando a última conferida na vizinhança. Segui pras pedras e comecei o desafio de simplesmente não largar tudo e ficar apenas olhando. Mas eu precisava registrar…













Pois é...esta é última foto antes do tombo. E olha que eu cuidei, no costão ainda pensei, nossa, presta atenção nessas fendas, um passo atrás sem cuidado e já era…

28°31'17.1"S 48°45'42.5"W, um pouquinho pra direita. Bem, a foto do resgate resume. Só vi minha máquina acoplada no tripé voando à minha frente, e atrás de mim um barulho de graveto partindo...só que não.





Assim como caí fiquei e pensei na hora, poxa virei o pé, que droga, só me falta agora não poder caminhar por aí. E daí me cruzou o pensamento: e se não foi graveto. Dei uma olhada pro pé esquerdo que tava meio esquisito, e tentei puxar...bom...lembrei do Anderson Silva...o pé ficou me olhando de lado, meio assim e daí entendi que não, não era graveto, era o osso da perna (ui).

E agora mulher, como vai sair dessa? Olhei pro celular, zero, traço, traço. Pensei, mantenha o controle que o negócio é sério. Na hora dói, mas como a adrenalina tá agindo, até nem foi tanto...na hora.

Mandei mensagem pro marido (que só foi receber horas depois), liguei pro 193. Atendeu o bombeiro, mas ele não me ouviu. 11 ligações perdidas depois, entendi que sem sinal significa sem sinal.

Vinte minutos passados e eu olhando o sol subindo, o vento frio gelando meu nariz e olhei pras pedras e vi...um pescador. Ele me olhou desconfiado, estava longe, acenei e gritei pra ele vir ali. Seu Marcelo, nunca vou esquecê-lo. Corre seu Marcelo, vai na vila e avisa o marido que tá na casa 214, que a mulher caiu e se quebrou. E ele foi, voando por cima das pedras.

Depois tentei mais uma vez ligar, pra quem sabe a Polícia, 190...e não é que deu? Fui atendida pedi o socorro e eles acionaram os Bombeiros de Laguna. Que chegaram um pouquinho depois do marido e do pessoal da vila, que foram muito muito gentis e solícitos. Ninguém me deu bronca, ao contrário, ajudaram os bombeiros a carregar a padiola com esse peso pena que lhes escreve (ahã), e lá fui eu.

10 pontos, uma haste de titânio e muita dor depois, estou aqui, lamentando não ter mais fotos para lhes mostrar a beleza de um lugar especial. Só indo lá você vai saber. Mas eu precisava abrir este blog com um lugar bacana e com uma história boa.

Imagem que capturei enquanto esperava o socorro...afinal, fotografar é preciso
Foto que fiz enquanto aguardava o socorro, afinal, fotografar é preciso...


Espero que você vá à Teresa e confira o que eu vi, mas não pude fotografar. E tenha cuidado, não vá trilhar sozinho, leve um foguete, um sinal de fumaça, alguma coisa.


34°28 " S do ′ 17 57°50 " W do ′ 39 Vamos ao Uruguay? Que o Uruguay é pequeno e encantador todo mundo sabe. Que tem uma excelente ...