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quarta-feira, 30 de julho de 2025

8° 58′ 16″ N, 79° 32′ 05″ O - Vamos ao Panamá?

Cidade do Panamá – chegamos
Exatamente um mês atrás, embarcamos com a Copa Airlines para a Cidade do Panamá. 
Mais um projeto de viagem que despertou lá em 2017, quando viajei a Chicago e fiz um stopover por ali. Já naquela época, da janelinha do avião, vislumbrei uma cidade moderna e interessante, com belas paisagens. Então, de tanto de falar pro marido que seria uma paragem atrativa para conhecermos, finalmente saiu do papel. 
É uma viagem relativamente curta, por Guarulhos foram sete horas. 
A Copa (https://www.copaair.com/pt-br/) gaba-se de ser a companhia mais pontual do mundo, e não vamos lhe tirar a razão. Ela é pontual. 
Na chegada no Aeroporto Internacional de Tocumen, você prepare a panturrilha (as nossas já chegaram preparadas dos Lençóis Maranhenses, uma semana antes), porque é um aeroporto enorme, hub que distribui voos para as Américas, dada a posição geográfica do Panamá, lá no meio de todos. 
É a sede da Copa, mas interessante que nosso voo parou no Terminal 1, porém a imigração que atende os voos da Copa é no Terminal 2. Então, corre, porque o nosso transfer estava com hora marcada. O nosso traslado foi contratado via Civitatis (https://www.civitatis.com/br/), que é uma plataforma online especialista em visitas guiadas, transfers, etc, em quase todo o mundo. E funcionou direitinho, viu. Saímos de casa com todos os passeios contratados, e um deles não foi possível fazer por causa do horário de chegada de outro, conseguimos cancelar a tempo, veio direitinho estornado no cartão. 
Os transfers de e para o aeroporto foram ligeiramente mais em conta do que contratar via Hotel. E paguei em reais, ainda no Brasil, o que ajuda no bolso. Quando saímos do desembarque, nosso motorista não estava no terminal, pois como eu mencionei, o voo chegou num Terminal e nós saímos no outro, por causa dos trâmites de imigração. Mas, no fim, enxerguei o senhorzinho com a placa com meu nome e toca pra cidade. 
Aqui um corte: a primeira coisa que ele nos disse, após perguntar de onde éramos: Es más seguro aquí que en Brasil! Ok, ok, já sabemos. 

Vinte e quatro quilômetros separam o aeroporto da Cidade do Panamá, que é a capital do país e seu maior povoamento. 
 Nossa hospedagem, fica a dica, foi o Megapolis Hotel Panamá que já foi o Hard Rock Hotel, faz alguns anos que não é mais, mas ali você dispõe de tudo: centro comercial, cassino, mercado, lojas, farmácia. E muito bem localizado, na Avenida Balboa (Vasco Nuñez de Balboa), um arranha-céu na orla, o que permite uma boa caminhada pelas imediações, muitos cafés, enfim, bem situado. 
Elogiável, ainda, o café da manhã cheio de opções, bem continental. Surpresa foi o quarto. Pedimos em andar alto, pois sabíamos que a vista seria legitimamente panorâmica, e a recepcionista nos colocou no 30º andar, de frente para a orla. 
Quer mais? Quer, porque quando entramos no quatro, eu calculo que ele tinha, por baixo, uns 90m2! Dividido entre sala de estar, copa, cozinha e um quarto gigante e um banheiro mais gigante ainda, de onde transbordava um rio de água no chuveiro também extralarge. Valeu cada doleta paga, pois entregava tudo que prometia, e ia além. Já nos hospedamos em ótimos hotéis com quartos confortáveis e amplos, mas esse superou a metragem. Vários bares nos andares e o Hard Rock Café também disponível no Centro Comercial, bastando trocar de andar e mudar de prédio internamente. 
Ficamos intrigados porque ao fazer os pedidos de lanche no restaurante, depois do “buenas noches”, eles desandaram a nos atender em inglês, e isso meio que se repetiu em outros lugares. Fomos aprendendo o motivo de o Panamá, notadamente a capital, ser tão cosmopolita. 
Já vou explicar, para isso, precisamos chegar à grande vedete local, que é o Canal do Panamá. Mas, antes, já falei da vista? A vista é sensacional. Uma pena que o Sol não deu as caras em nenhum dia em que estivemos por lá. No Panamá chove muito, é muito úmido, pois está na Linha do Equador, e de maio a dezembro, é a estação das águas. E a chuva é o que os panamenhos querem, pois abastece sua maior riqueza, os rios e lagos. Todos os panamenhos com os quais tivemos contato são muito conscientes da necessidade de preservar suas florestas, sua riqueza hídrica. Assisti a um documentário na TV do hotel que foi bem interessante sobre o trabalho que é feito com as comunidades que vivem mais afastadas, nas regiões da floresta. 
Mas, me afastei da vista, que era o comentário que eu queria fazer: a vista sensacional da orla, com as três ilhas ao fundo e a chamada “Calzada Amador”, que é uma estrada construída com aterramento extraído da construção do Canal. À noite, se torna especialmente bonita, como podem ver pela foto abaixo.
                                                       e a vista, que tal? 

 Cidade do Panamá – dia 1 

O primeiro passeio que contratei foi o tradicional hop-on hop-off, aquele dos ônibus vermelhos de dois andares, que sempre são bons para aquela primeira olhada na cidade que se visita. O ponto de saída desse ônibus era quase ao lado do nosso hotel (mais um ponto a favor), dali ele passava por outros quinze pontos na cidade. 
Assim, começava a se descortinar a capital panamenha aos nossos olhos. 
Uma cidade vertical, com sedes de grandes bancos mundiais, movida a dólar, embora a moeda oficial seja o Balboa (paridade um por um). Trouxe duas moedas de um Balboa cada, só de lembrança, um troco que me deram em algum lugar. Só usamos dólar ou cartão, muito prático. Lembro que em 2017, quando passei pelo aeroporto de Tucumen, não aceitavam cartão de crédito, era uma coisa meio maluca. Hoje, há avisos nas lojas: Brasileño, paga con Pix! Yes, Mr. Trump, aceitam nosso Pix no Panamá.

Circundada por arranha-céus modernos, longas e largas avenidas, comércio vibrante, está Casco Viejo, ou Casco Antiguo, declarado Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco (hello, São Luís, mirem-se nesse exemplo), é uma grande área que foi restaurada nas últimas décadas, que contém exemplares de 1610 e por aí afora, perfeitamente transformados em ambientes funcionais, hotéis e pousadas luxuosos, turismo fervilhante. 
Difícil escolher um prédio mais bonito. Como não levei minha infra junto, fico devendo uma foto especial. Como sempre, preciso voltar para fotografar como se deve.

Passamos pela Cidade do Saber (City of Knowledge), que ocupa a antiga Base Militar Estadunidense de Clayton, onde estão universidades, centros de pesquisa e tecnologia. Uma das paradas se dá na primeira eclusa construída do Canal, a de Miraflores, a que concentra a maior quantidade de visitantes – se você tiver opção e não quiser muvuca, eleja e visite uma das outras duas (nós visitamos três, e elegemos a terceira, de Gátun. Mas já já falaremos sobre o Canal.) Optamos por retornar com o ônibus ao Centro Histórico e descer por ali para conhecermos.
Se seu tempo for curto ou for apenas um stopover com possibilidade de ir até à cidade, vá ao Centro Histórico. 
Ali é possível viajar no tempo. Foi onde comprei meu legítimo chapéu-panamá (feito no Equador), e paguei 45 dólares, depois vindo a encontrar no aeroporto por 20...mas vai saber. Melhor garantir.
Visitamos o Museu do Canal, onde você pode conhecer toda a história fantástica dessa obra de engenharia da Humanidade, num tempo em que a tecnologia era a pá e o braço humano, basicamente. Exagerei, mas é mais ou menos isso. Como eles lograram construir o Canal, o custo humano e tudo mais, é assunto para muitos textos que, obviamente, não será aqui que você lerá, mas estando lá, visite e analise. 















 Bom, viagem sem perrengue não é viagem. E eu, pessoalmente, tive o meu. Começou uma torção  na barriga, o que me fez arrastar o marido: vamos, vamos ao Museu do Canal, conhecer a História (;)). Ok, poderia ser só um efeito matinal, pós café. Aliás, que café o do hotel, como já falei. As frutas são sensacionais, e eles dizem que têm o melhor café do mundo. Talvez, pois o café Duran é muito saboroso. 
Almoçamos num restaurante bacaninha, de dois italianos da Sardenha baseados na capital panamenha, e ok, frutos do mar, delícia e tal. Um pequeno parêntese: o restaurante que estava vazio, do nada, foi invadido, até agora não sei se era um grupo escolar ou uma grande família hondurenha, e quando achávamos que o sossego estava perdido, fomos surpreendidos por crianças hondurenhas muito educadas e silenciosas. Nunca vi assim.
                                                               Mas, será hein? 

Voltando ao perrengue, continuamos a voltinha no Centro Histórico e tal, quando do nada, aquela reviravolta recomeçou e, o que era pra ser um pequeno alívio, revelou-se um efeito indesejável, marcante (mais detalhes não posso fornecer). Mas atenção: roupa clara não combina com passeios em cidades muito quentes com comidas desconhecidas e, eventualmente picantes. Solução: esperar o retorno do ônibus hop-on hop-off e voltar pro hotel (lembra que a primeira e a última parada dele era na nossa esquina?). Vã esperança. Quem disse que esse ônibus iria retornar pro ponto final? Não, senhores, ele estava no recomeço das andanças – embarcados, ficamos rodando quase duas horas até ele chegar num centro comercial (que aliás tem um duty-free), na Calle de Isla Perico. 
Pelamor, como demorou esse ônibus para chegar até ali. Conhecemos o trânsito carregado do Panamá. Experimenta estar com pressa. Mas enfim, depois de longas horas, tudo se acertou, embora o piriri tenha prosseguido firme mais um dia. Sei lá, alguma coisa devia estar batizada em algum lugar, rsrsrsrs. 

Canal do Panamá, Eclusa de Miraflores – Dia 2
O passeio por Miraflores deve ser o mais procurado pelos turistas. Como já tinha sido comprado via Civitatis, foi bem tranquilo, um motorista veio nos buscar em carro privativo (no dia anterior o Albenis, responsável pela companhia contratada via Civitatis, enviou mensagem pelo whatsapp e estava tudo confirmado, eles informam quem é o motora, horários etc, isso se repetiu em todos os passeios, recomendo.). No caminho, o guia foi nos contando as histórias da Construção do Canal, coisas sobre o dia a dia da vida no Panamá, tudo muito interessante.
Estávamos entendendo, e isso também pela observação da ausência de motocicletas e os modelos de carros circulando  eram pistas de que o Panamá é um país bem mais rico que o nosso. A distribuição de renda é mais equitativa, e o dinheiro que entra pelo Canal é o grande responsável pela qualidade de vida. Diariamente, cruzam trinta seis navios pelo Canal. O mundo se conecta por ali. O pagamento se dá adiantado, 72 horas antes de poder entrar na primeira eclusa. É uma conta fácil de fazer. 
Localizado num istmo, em 1880 os franceses, devidamente autorizados pelos colombianos a quem pertencia o Panamá, tentaram construir um Canal por ali, para integrar o mundo por meio da navegação de um oceano (Pacífico) a outro (Atlântico). Mas a tarefa não era fácil e, depois de muitas perdas, os franceses abandonaram o projeto. 
Em 1904, os Estados Unidos chamam para si a execução, e se estabelecem localmente. Em 1914 inauguram o canal, administrando toda a operação comercial, até que no Governo de Jimmy Carter, em 1977, inicia a transição para que os panamenhos passem a gerenciar e operar o Canal, processo finalizado em 1999. Esse envolvimento estadunidense na construção explica o inglês fluentemente falado nas ruas. 
Como tudo que envolve dois países disputando espaço, muito dinheiro, complexidade de engenharia, soberania de território, era inevitável o estabelecimento de conflitos que atravessaram gerações. Portanto, não é possível estabelecer um turismo “superficial” e se contentar com o básico. Invista em informação e ficará mais interessante. No voo de retorno, assisti “Histórias Del Canal”, filme de 2014 que também está disponível na Netflix, e é essencial para ajudar a compreender o que você visita e aprende sobre toda a história do Panamá. Vale a pena.
De tudo isso, o que mais impacta no Canal é pensar como as pessoas conseguiram erigir uma obra dessa magnitude com o que tinham disponível na época. Que viagem no tempo formidável seria acompanhar essas pessoas. Anda bem que temos o museu.




Nessa imagem você observa o navio iniciando o procedimento no "elevador" do Canal em Miraflores.





                 Aqui, o navio já desceu o primeiro degrau. 










Colón, Zona Caribenha do Canal – Dia 3 

Antes de contar sobre essa outra área do Canal, vou falar da experiência no Cassino Majestic, anexo ao Hotel Megapolis. 
Fizemos uma incursão por lá, devo dizer que eu não acho graça em cassino (prefiro jogar Candy Crush), mas fui acompanhar o marido. 
Escolhida uma dessas máquinas que ficam tilintando e piscando sem parar e, depois de cinco dólares aplicados, ele foi apertando um botão aqui, outro ali, sem entender muito o que acontecia e...eis que aparece uma mensagem na tela: You won! What? Como assim? Sai um papelzinho ali dizendo que ele ganhou 80 dólares! Descontados os cinco que jogou, não é que o danado faturou 75? 
Não ia contar, mas eu tentei numa outra máquina onde, aparentemente, precisavam se emparelhar frutinhas, e nem deu tempo de piscar, já tinha perdido o cincão. 
Mas, saímos no lucro no final. Claro que demos a meia volta. Lá dentro ficaram uns vetustos batendo nas telas, aparentemente tentando empurrar a sorte. Ou o contrário.

Voltando ao passeio, eu havia lido que Colón é uma cidade meio problemática lá no Panamá, meio inseguro e tal, embora possua uma região de livre-comércio e um Porto. 
Inicialmente, nosso guia nesse percurso foi o Charlie, um animado e falante panamenho que nos buscou no hotel e começou contando todas as histórias possíveis sobre o Canal e a vida no Panamá. Nos ensinou que a palavra “panamá” significa abundância. Segundo ele, abundância de água (o que é fato), mas se você pesquisar, uma das possibilidades seria abundância de borboletas. 
O Charlie é nascido em Colón, na base americana, filho pai americano e mãe panamenha, portanto, grande conhecedor dos conflitos advindos da co-existência entre os panamenhos e os construtores estrangeiros. Também nos ofereceu um bom panorama sobre a educação e saúde no país, o que é perceptível andando pelas ruas. 
Lá em Colón nos esperava o Rodri, outro animado panamenho, guia local, que nos contou que fala português pois havia trabalhado em um navio de cruzeiro anos atrás e namorou uma brasileira, e viajou pelo Brasil. 
Os dois nos levaram, antes de conhecer a cidade,  para as eclusas de Água Clara e Gátun (Atlântico). Ambas bem mais tranquilas do que a de Miraflores, e a de Gátun é a de melhor observação, pois você quase pode tocar o navio quando ele desce o “elevador”. A construção de Gátun que foi a última ampliação do Canal e já conta com uma engenharia bem atualizada. As duas são rodeadas por santuários de vida selvagem. No caminho, tivemos sorte de topar com uma preguiça dormitando no topo de um galho sobre a estrada.
                                                   movimentação de navios em Água Clara
                                                         Quase tocando o navio em Gátun 

Tudo é verde, exuberante e...úmido. Muita umidade. Mas, água é vida, e a sobrevivência do Canal depende dos lagos e reservatórios cheios, rios cheios e floresta preservada. 
Visitamos também as ruínas do Forte de San Lorenzo, outro lugar importante para entender a história do Panamá, do corsário Henry Morgan e avistar o Mar das Caraíbas. Um lugar muito bonito, com restauro acontecendo.
Depois dessa visita, veio o choque de chegar a Colón. 
O que eu tinha lido era muito pior ao vivo. Difícil compreender como a cidade chegou naquele ponto de abandono. Aqui um aparte sobre os nossos guias. Charlie tem opinião forte sobre as mazelas do seu país. Assim como nos contou sobre sistemas que funcionam muito bem por lá, também ficou evidente que o seu posicionamento é alinhado com ordem social, liberdade individual e não intervenção do Estado. Já o Rodri tem uma posição oposta, mais alinhado com igualdade social e suas implicações. Foi importante termos observado essas duas posições divergentes, embora sejam parceiros no trabalho.
                                                         nossos animados guias 

 Voltando a Colón, não consegui fazer uma foto para ilustrar o que eu vi. Mas é daqueles lugares que você lamenta profundamente ver a transformação pra pior. Por algum motivo, a única foto que ficou registrada foi a do Presídio que fica na entrada da cidade, por si só é uma calamidade, e acaba dando uma ideia do que espera quem chega por ali. Lembra um pouco o antigo Presídio Central de Porto Alegre, mas acho que consegue ser pior. E sim, as pessoas que aparecem na foto são presidiários (?).
Após a retirada do pessoal dos EUA, fechamento das bases militares, etc., os edifícios foram abandonados em Colón e, segundo nos disseram, as pessoas ocuparam os locais sem pagar aluguel, a deterioração foi tomando conta, até chegar ao ponto de hoje. Empregos foram sumindo, e hoje quem está lá é uma população jovem, sem emprego fixo e, aparentemente sem rumo. Ainda estou quebrando a cabeça tentando entender como um lugar de livre-comércio, com um porto de grande proporção e com uma eclusa, está naquela situação. Sem contar o dinheiro do Canal.

Essa foi a nossa viagem ao Panamá. Ainda ficou muito a conhecer, portanto a volta é assegurada. E você, gostou do que eu contei? Sentiu vontade de viajar até lá? 
Deixe seu comentário, sugestão, crítica. E volte para seguir comigo na próxima aventura.

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