quarta-feira, 30 de julho de 2025

8° 58′ 16″ N, 79° 32′ 05″ O - Vamos ao Panamá?

Cidade do Panamá – chegamos
Exatamente um mês atrás, embarcamos com a Copa Airlines para a Cidade do Panamá. 
Mais um projeto de viagem que despertou lá em 2017, quando viajei a Chicago e fiz um stopover por ali. Já naquela época, da janelinha do avião, vislumbrei uma cidade moderna e interessante, com belas paisagens. Então, de tanto de falar pro marido que seria uma paragem atrativa para conhecermos, finalmente saiu do papel. 
É uma viagem relativamente curta, por Guarulhos foram sete horas. 
A Copa (https://www.copaair.com/pt-br/) gaba-se de ser a companhia mais pontual do mundo, e não vamos lhe tirar a razão. Ela é pontual. 
Na chegada no Aeroporto Internacional de Tocumen, você prepare a panturrilha (as nossas já chegaram preparadas dos Lençóis Maranhenses, uma semana antes), porque é um aeroporto enorme, hub que distribui voos para as Américas, dada a posição geográfica do Panamá, lá no meio de todos. 
É a sede da Copa, mas interessante que nosso voo parou no Terminal 1, porém a imigração que atende os voos da Copa é no Terminal 2. Então, corre, porque o nosso transfer estava com hora marcada. O nosso traslado foi contratado via Civitatis (https://www.civitatis.com/br/), que é uma plataforma online especialista em visitas guiadas, transfers, etc, em quase todo o mundo. E funcionou direitinho, viu. Saímos de casa com todos os passeios contratados, e um deles não foi possível fazer por causa do horário de chegada de outro, conseguimos cancelar a tempo, veio direitinho estornado no cartão. 
Os transfers de e para o aeroporto foram ligeiramente mais em conta do que contratar via Hotel. E paguei em reais, ainda no Brasil, o que ajuda no bolso. Quando saímos do desembarque, nosso motorista não estava no terminal, pois como eu mencionei, o voo chegou num Terminal e nós saímos no outro, por causa dos trâmites de imigração. Mas, no fim, enxerguei o senhorzinho com a placa com meu nome e toca pra cidade. 
Aqui um corte: a primeira coisa que ele nos disse, após perguntar de onde éramos: Es más seguro aquí que en Brasil! Ok, ok, já sabemos. 

Vinte e quatro quilômetros separam o aeroporto da Cidade do Panamá, que é a capital do país e seu maior povoamento. 
 Nossa hospedagem, fica a dica, foi o Megapolis Hotel Panamá que já foi o Hard Rock Hotel, faz alguns anos que não é mais, mas ali você dispõe de tudo: centro comercial, cassino, mercado, lojas, farmácia. E muito bem localizado, na Avenida Balboa (Vasco Nuñez de Balboa), um arranha-céu na orla, o que permite uma boa caminhada pelas imediações, muitos cafés, enfim, bem situado. 
Elogiável, ainda, o café da manhã cheio de opções, bem continental. Surpresa foi o quarto. Pedimos em andar alto, pois sabíamos que a vista seria legitimamente panorâmica, e a recepcionista nos colocou no 30º andar, de frente para a orla. 
Quer mais? Quer, porque quando entramos no quatro, eu calculo que ele tinha, por baixo, uns 90m2! Dividido entre sala de estar, copa, cozinha e um quarto gigante e um banheiro mais gigante ainda, de onde transbordava um rio de água no chuveiro também extralarge. Valeu cada doleta paga, pois entregava tudo que prometia, e ia além. Já nos hospedamos em ótimos hotéis com quartos confortáveis e amplos, mas esse superou a metragem. Vários bares nos andares e o Hard Rock Café também disponível no Centro Comercial, bastando trocar de andar e mudar de prédio internamente. 
Ficamos intrigados porque ao fazer os pedidos de lanche no restaurante, depois do “buenas noches”, eles desandaram a nos atender em inglês, e isso meio que se repetiu em outros lugares. Fomos aprendendo o motivo de o Panamá, notadamente a capital, ser tão cosmopolita. 
Já vou explicar, para isso, precisamos chegar à grande vedete local, que é o Canal do Panamá. Mas, antes, já falei da vista? A vista é sensacional. Uma pena que o Sol não deu as caras em nenhum dia em que estivemos por lá. No Panamá chove muito, é muito úmido, pois está na Linha do Equador, e de maio a dezembro, é a estação das águas. E a chuva é o que os panamenhos querem, pois abastece sua maior riqueza, os rios e lagos. Todos os panamenhos com os quais tivemos contato são muito conscientes da necessidade de preservar suas florestas, sua riqueza hídrica. Assisti a um documentário na TV do hotel que foi bem interessante sobre o trabalho que é feito com as comunidades que vivem mais afastadas, nas regiões da floresta. 
Mas, me afastei da vista, que era o comentário que eu queria fazer: a vista sensacional da orla, com as três ilhas ao fundo e a chamada “Calzada Amador”, que é uma estrada construída com aterramento extraído da construção do Canal. À noite, se torna especialmente bonita, como podem ver pela foto abaixo.
                                                       e a vista, que tal? 

 Cidade do Panamá – dia 1 

O primeiro passeio que contratei foi o tradicional hop-on hop-off, aquele dos ônibus vermelhos de dois andares, que sempre são bons para aquela primeira olhada na cidade que se visita. O ponto de saída desse ônibus era quase ao lado do nosso hotel (mais um ponto a favor), dali ele passava por outros quinze pontos na cidade. 
Assim, começava a se descortinar a capital panamenha aos nossos olhos. 
Uma cidade vertical, com sedes de grandes bancos mundiais, movida a dólar, embora a moeda oficial seja o Balboa (paridade um por um). Trouxe duas moedas de um Balboa cada, só de lembrança, um troco que me deram em algum lugar. Só usamos dólar ou cartão, muito prático. Lembro que em 2017, quando passei pelo aeroporto de Tucumen, não aceitavam cartão de crédito, era uma coisa meio maluca. Hoje, há avisos nas lojas: Brasileño, paga con Pix! Yes, Mr. Trump, aceitam nosso Pix no Panamá.

Circundada por arranha-céus modernos, longas e largas avenidas, comércio vibrante, está Casco Viejo, ou Casco Antiguo, declarado Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco (hello, São Luís, mirem-se nesse exemplo), é uma grande área que foi restaurada nas últimas décadas, que contém exemplares de 1610 e por aí afora, perfeitamente transformados em ambientes funcionais, hotéis e pousadas luxuosos, turismo fervilhante. 
Difícil escolher um prédio mais bonito. Como não levei minha infra junto, fico devendo uma foto especial. Como sempre, preciso voltar para fotografar como se deve.

Passamos pela Cidade do Saber (City of Knowledge), que ocupa a antiga Base Militar Estadunidense de Clayton, onde estão universidades, centros de pesquisa e tecnologia. Uma das paradas se dá na primeira eclusa construída do Canal, a de Miraflores, a que concentra a maior quantidade de visitantes – se você tiver opção e não quiser muvuca, eleja e visite uma das outras duas (nós visitamos três, e elegemos a terceira, de Gátun. Mas já já falaremos sobre o Canal.) Optamos por retornar com o ônibus ao Centro Histórico e descer por ali para conhecermos.
Se seu tempo for curto ou for apenas um stopover com possibilidade de ir até à cidade, vá ao Centro Histórico. 
Ali é possível viajar no tempo. Foi onde comprei meu legítimo chapéu-panamá (feito no Equador), e paguei 45 dólares, depois vindo a encontrar no aeroporto por 20...mas vai saber. Melhor garantir.
Visitamos o Museu do Canal, onde você pode conhecer toda a história fantástica dessa obra de engenharia da Humanidade, num tempo em que a tecnologia era a pá e o braço humano, basicamente. Exagerei, mas é mais ou menos isso. Como eles lograram construir o Canal, o custo humano e tudo mais, é assunto para muitos textos que, obviamente, não será aqui que você lerá, mas estando lá, visite e analise. 















 Bom, viagem sem perrengue não é viagem. E eu, pessoalmente, tive o meu. Começou uma torção  na barriga, o que me fez arrastar o marido: vamos, vamos ao Museu do Canal, conhecer a História (;)). Ok, poderia ser só um efeito matinal, pós café. Aliás, que café o do hotel, como já falei. As frutas são sensacionais, e eles dizem que têm o melhor café do mundo. Talvez, pois o café Duran é muito saboroso. 
Almoçamos num restaurante bacaninha, de dois italianos da Sardenha baseados na capital panamenha, e ok, frutos do mar, delícia e tal. Um pequeno parêntese: o restaurante que estava vazio, do nada, foi invadido, até agora não sei se era um grupo escolar ou uma grande família hondurenha, e quando achávamos que o sossego estava perdido, fomos surpreendidos por crianças hondurenhas muito educadas e silenciosas. Nunca vi assim.
                                                               Mas, será hein? 

Voltando ao perrengue, continuamos a voltinha no Centro Histórico e tal, quando do nada, aquela reviravolta recomeçou e, o que era pra ser um pequeno alívio, revelou-se um efeito indesejável, marcante (mais detalhes não posso fornecer). Mas atenção: roupa clara não combina com passeios em cidades muito quentes com comidas desconhecidas e, eventualmente picantes. Solução: esperar o retorno do ônibus hop-on hop-off e voltar pro hotel (lembra que a primeira e a última parada dele era na nossa esquina?). Vã esperança. Quem disse que esse ônibus iria retornar pro ponto final? Não, senhores, ele estava no recomeço das andanças – embarcados, ficamos rodando quase duas horas até ele chegar num centro comercial (que aliás tem um duty-free), na Calle de Isla Perico. 
Pelamor, como demorou esse ônibus para chegar até ali. Conhecemos o trânsito carregado do Panamá. Experimenta estar com pressa. Mas enfim, depois de longas horas, tudo se acertou, embora o piriri tenha prosseguido firme mais um dia. Sei lá, alguma coisa devia estar batizada em algum lugar, rsrsrsrs. 

Canal do Panamá, Eclusa de Miraflores – Dia 2
O passeio por Miraflores deve ser o mais procurado pelos turistas. Como já tinha sido comprado via Civitatis, foi bem tranquilo, um motorista veio nos buscar em carro privativo (no dia anterior o Albenis, responsável pela companhia contratada via Civitatis, enviou mensagem pelo whatsapp e estava tudo confirmado, eles informam quem é o motora, horários etc, isso se repetiu em todos os passeios, recomendo.). No caminho, o guia foi nos contando as histórias da Construção do Canal, coisas sobre o dia a dia da vida no Panamá, tudo muito interessante.
Estávamos entendendo, e isso também pela observação da ausência de motocicletas e os modelos de carros circulando  eram pistas de que o Panamá é um país bem mais rico que o nosso. A distribuição de renda é mais equitativa, e o dinheiro que entra pelo Canal é o grande responsável pela qualidade de vida. Diariamente, cruzam trinta seis navios pelo Canal. O mundo se conecta por ali. O pagamento se dá adiantado, 72 horas antes de poder entrar na primeira eclusa. É uma conta fácil de fazer. 
Localizado num istmo, em 1880 os franceses, devidamente autorizados pelos colombianos a quem pertencia o Panamá, tentaram construir um Canal por ali, para integrar o mundo por meio da navegação de um oceano (Pacífico) a outro (Atlântico). Mas a tarefa não era fácil e, depois de muitas perdas, os franceses abandonaram o projeto. 
Em 1904, os Estados Unidos chamam para si a execução, e se estabelecem localmente. Em 1914 inauguram o canal, administrando toda a operação comercial, até que no Governo de Jimmy Carter, em 1977, inicia a transição para que os panamenhos passem a gerenciar e operar o Canal, processo finalizado em 1999. Esse envolvimento estadunidense na construção explica o inglês fluentemente falado nas ruas. 
Como tudo que envolve dois países disputando espaço, muito dinheiro, complexidade de engenharia, soberania de território, era inevitável o estabelecimento de conflitos que atravessaram gerações. Portanto, não é possível estabelecer um turismo “superficial” e se contentar com o básico. Invista em informação e ficará mais interessante. No voo de retorno, assisti “Histórias Del Canal”, filme de 2014 que também está disponível na Netflix, e é essencial para ajudar a compreender o que você visita e aprende sobre toda a história do Panamá. Vale a pena.
De tudo isso, o que mais impacta no Canal é pensar como as pessoas conseguiram erigir uma obra dessa magnitude com o que tinham disponível na época. Que viagem no tempo formidável seria acompanhar essas pessoas. Anda bem que temos o museu.




Nessa imagem você observa o navio iniciando o procedimento no "elevador" do Canal em Miraflores.





                 Aqui, o navio já desceu o primeiro degrau. 










Colón, Zona Caribenha do Canal – Dia 3 

Antes de contar sobre essa outra área do Canal, vou falar da experiência no Cassino Majestic, anexo ao Hotel Megapolis. 
Fizemos uma incursão por lá, devo dizer que eu não acho graça em cassino (prefiro jogar Candy Crush), mas fui acompanhar o marido. 
Escolhida uma dessas máquinas que ficam tilintando e piscando sem parar e, depois de cinco dólares aplicados, ele foi apertando um botão aqui, outro ali, sem entender muito o que acontecia e...eis que aparece uma mensagem na tela: You won! What? Como assim? Sai um papelzinho ali dizendo que ele ganhou 80 dólares! Descontados os cinco que jogou, não é que o danado faturou 75? 
Não ia contar, mas eu tentei numa outra máquina onde, aparentemente, precisavam se emparelhar frutinhas, e nem deu tempo de piscar, já tinha perdido o cincão. 
Mas, saímos no lucro no final. Claro que demos a meia volta. Lá dentro ficaram uns vetustos batendo nas telas, aparentemente tentando empurrar a sorte. Ou o contrário.

Voltando ao passeio, eu havia lido que Colón é uma cidade meio problemática lá no Panamá, meio inseguro e tal, embora possua uma região de livre-comércio e um Porto. 
Inicialmente, nosso guia nesse percurso foi o Charlie, um animado e falante panamenho que nos buscou no hotel e começou contando todas as histórias possíveis sobre o Canal e a vida no Panamá. Nos ensinou que a palavra “panamá” significa abundância. Segundo ele, abundância de água (o que é fato), mas se você pesquisar, uma das possibilidades seria abundância de borboletas. 
O Charlie é nascido em Colón, na base americana, filho pai americano e mãe panamenha, portanto, grande conhecedor dos conflitos advindos da co-existência entre os panamenhos e os construtores estrangeiros. Também nos ofereceu um bom panorama sobre a educação e saúde no país, o que é perceptível andando pelas ruas. 
Lá em Colón nos esperava o Rodri, outro animado panamenho, guia local, que nos contou que fala português pois havia trabalhado em um navio de cruzeiro anos atrás e namorou uma brasileira, e viajou pelo Brasil. 
Os dois nos levaram, antes de conhecer a cidade,  para as eclusas de Água Clara e Gátun (Atlântico). Ambas bem mais tranquilas do que a de Miraflores, e a de Gátun é a de melhor observação, pois você quase pode tocar o navio quando ele desce o “elevador”. A construção de Gátun que foi a última ampliação do Canal e já conta com uma engenharia bem atualizada. As duas são rodeadas por santuários de vida selvagem. No caminho, tivemos sorte de topar com uma preguiça dormitando no topo de um galho sobre a estrada.
                                                   movimentação de navios em Água Clara
                                                         Quase tocando o navio em Gátun 

Tudo é verde, exuberante e...úmido. Muita umidade. Mas, água é vida, e a sobrevivência do Canal depende dos lagos e reservatórios cheios, rios cheios e floresta preservada. 
Visitamos também as ruínas do Forte de San Lorenzo, outro lugar importante para entender a história do Panamá, do corsário Henry Morgan e avistar o Mar das Caraíbas. Um lugar muito bonito, com restauro acontecendo.
Depois dessa visita, veio o choque de chegar a Colón. 
O que eu tinha lido era muito pior ao vivo. Difícil compreender como a cidade chegou naquele ponto de abandono. Aqui um aparte sobre os nossos guias. Charlie tem opinião forte sobre as mazelas do seu país. Assim como nos contou sobre sistemas que funcionam muito bem por lá, também ficou evidente que o seu posicionamento é alinhado com ordem social, liberdade individual e não intervenção do Estado. Já o Rodri tem uma posição oposta, mais alinhado com igualdade social e suas implicações. Foi importante termos observado essas duas posições divergentes, embora sejam parceiros no trabalho.
                                                         nossos animados guias 

 Voltando a Colón, não consegui fazer uma foto para ilustrar o que eu vi. Mas é daqueles lugares que você lamenta profundamente ver a transformação pra pior. Por algum motivo, a única foto que ficou registrada foi a do Presídio que fica na entrada da cidade, por si só é uma calamidade, e acaba dando uma ideia do que espera quem chega por ali. Lembra um pouco o antigo Presídio Central de Porto Alegre, mas acho que consegue ser pior. E sim, as pessoas que aparecem na foto são presidiários (?).
Após a retirada do pessoal dos EUA, fechamento das bases militares, etc., os edifícios foram abandonados em Colón e, segundo nos disseram, as pessoas ocuparam os locais sem pagar aluguel, a deterioração foi tomando conta, até chegar ao ponto de hoje. Empregos foram sumindo, e hoje quem está lá é uma população jovem, sem emprego fixo e, aparentemente sem rumo. Ainda estou quebrando a cabeça tentando entender como um lugar de livre-comércio, com um porto de grande proporção e com uma eclusa, está naquela situação. Sem contar o dinheiro do Canal.

Essa foi a nossa viagem ao Panamá. Ainda ficou muito a conhecer, portanto a volta é assegurada. E você, gostou do que eu contei? Sentiu vontade de viajar até lá? 
Deixe seu comentário, sugestão, crítica. E volte para seguir comigo na próxima aventura.

segunda-feira, 14 de julho de 2025

2° 31′ 48″ S, 44° 18′ 10″ O É São João em São Luís! Acende a fogueira!
Retomando a jornada, agora uma senhora(!) aposentada, dona do meu tempo, depois de descarrilar um pouco devido à incapacidade de lidar com a luxúria do ócio, nada como voar para um destino muito almejado, os famosos Lençóis Maranhenses. Mas, antes de chegar lá, um pit stop muito breve na capital do Estado do Maranhão, a colorida e quente São Luís. A chegada em São Luís já descortina um verde vibrante, nuvens caprichosas que despejam água em pontos aleatórios, e em outros parecem um carrossel de algodão. Pois bem, já no transfer para o hotel, o motora nos avisa: vocês estão hospedados bem próximos ao Arraiá do Ipem, não percam, é muito seguro, muito policiamento e muita festa. Feito! Só trocamos a roupa e atravessamos a rua para chegar no evento. Como era cedo, a festa estava apenas começando, mas já era possível ter uma ideia de como seria. Ah é? Nada disso, depois fui pesquisar e vi que são 30(!!!) dias de festa no Arraiá do Ipem! Comida (apreciei uma iguaria de farofa de erva mate finalizada com vinagreira, uma ervinha deles lá que é tudo de bom), apresentações, muita música e o maranhense festeiro – isso eles mesmos dizem. Vixe, já ia esquecendo do Guaraná Jesus, doce que ele só, mas tomei bastante ;). 


Então, se você pretende ir aos Lençóis Maranhenses, programe-se para o mês de junho, pois além de não ser o pico da temporada, você tem o bônus das festanças juninas. É pra lá de bão!


Refeitos dos comes do arraial, fomos conhecer no dia seguinte o Centro Histórico de São Luís, declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco em 1997. Percebe o que é soltar uma pessoa que é viciada em fotografia, ama demais um lugar antigo, uma ruína, História, num lugar daqueles? Bom, pobre do marido que acompanha e tem que parar a cada cinco metros. O Centro Histórico de São Luís é assim, uma Ouro Preto mal (bem mal) conservada. Riquíssima arquitetura, mas destroçada pelo tempo e pela ausência total de conservação. Um ou outro edifício restaurado (mas precisa caçar pra achar) e um ou outro com tapume, identificando uma futura tentativa de restauro. Saí de lá entristecida com tanta riqueza desperdiçada, mas com os olhos brilhando de tanta lindeza (ok, parece uma contradição, mas é bem isso). Apesar do evidente descaso com a História daquelas ruas, vi muito colorido vibrante, por conta dos festejos juninos. Algumas ruas contam com a estrutura festiva bem montada, e a alegria das pessoas se preparando para os desfiles com fantasias bem construídas era evidente. Fico pensando o motivo de o Poder Público não enxergar o mundo de possibilidades com tanto Patrimônio Histórico disponível ao fomento do turismo, e reconhecido mundialmente. Turismo gera riqueza, gera visibilidade, movimenta e dá oportunidade a tantas pessoas. Vou falar disso no tópico seguinte, de Santo Amaro. Segue a leitura e você vai entender.
Os palácios habitados pelo Governo do Estado e pelo Município são dignos de nota. Perfeitamente conservados, abertos à visitação, contam uma história iniciada pelos franceses em 1612. Disputada por franceses, holandeses e portugueses, esses últimos levaram a melhor. Mas há nas ruas um je ne sais quoi, que faz voltar no tempo e imaginar como seria Saint-Louis-de-Maragnan, se os franceses não tivessem sido atropelados pelos holandeses e esses pelos portugueses. Bela mistura hein? Mais, oui, on avance.
Meu caros maranhenses, tão gentis, ouçam o que lhes peço: cuidem das suas cidades. Organizem seu lixo, respeitem seus espaços. A chegada a São Luís pela região do Porto choca quem entrou pelo aeroporto. Tem lixo demais jogado por quilômetros da via expressa. É como se todos os moradores despejassem seu lixo por ali, sem qualquer acondicionamento. Assim não dá, minha gente! Uma cidade com tanta beleza ser mal tratada desse jeito. São Luís tem esses problemas, mas também tem áreas nobres e acho que se o povo se unir, uma hora eles colocam ordem na casa. Potencial não falta, e precisa começar pela restauração do Centro Histórico. O brasileiro vai à Europa, paga em euro e volta todo feliz falando sobre os vilarejos medievais, as cidadezinhas, os museus etc. Gente, acorda. Tem tudo isso e muito mais aqui mesmo, mas precisamos nos organizar para manter nossa História viva e bem cuidada. Bom, agora já virou manifesto, parei. A orla de São Luís é muito larga, mas algumas praias recebem o esgoto despejado direto no mar, o que impossibilita a balneabilidade. O que é uma pena, viu. Porque ver o sol se pondo no mar é bonito demais. Acostumada a vê-lo nascendo na minha janela em cima daquele azul infinito, ter a oportunidade de apreciar o ocaso no oceano é lindo. Existe uma variedade de restaurantes, loundges, bares, enfim, pra todos os bolsos e gostos.
Aqui vou fazer um aparte, para colar meu endereço no Instagram: https://www.instagram.com/kreiss411/
Dá uma chegadinha lá e confere meus posts do Maranhão. Observe que minhas fotos usam a técnica do infravermelho que é um processo bem bacaninha e casa perfeitamente com casario histórico, ruínas e afins. Gostou? Me segue lá! 

Agora, sigamos ao objetivo dessa viagem: os famosos Lençóis Maranhenses: 

2° 30′ 00″ S, 43° 15′ 14″ O Santo Amaro do Maranhão, a porta de entrada dos Lençóis Maranhenses. Onde o vento faz a curva e a brisa acaricia.
Já fazia um tempo que programamos a viagem aos Lençóis Maranhenses, e só posso dizer que tudo que eu esperava eu encontrei. Que lugar, minha gente! 
 Antes de prosseguir, vou agradecer ao pessoal que nos guiou por lá, gentilmente indicados pelo nosso anfitrião do Airbnb, a Ariele e seu pai Nilson, donos da agência Nilson Tur (no instagram https://www.instagram.com/nilsontur_lencoismaranhenses/). A Ariele me orientou no roteiro dos passeios e sempre nos colocou os melhores guias e motoras de Santo Amaro (Mateus, Junior Bolota, Rômulo, Emerson, Helias). O transfer de São Luís para Santo Amaro, e depois o retorno, foi feito com eles, de modo privativo, assim pudemos receber de cara informações sobre o desenvolvimento do Estado, da região, enfim, várias dicas.

Antes de falar sobre os passeios, uma pequena visão do que percebemos no trajeto e ao chegar:

- de São Luís a Santo Amaro a estrada é a BR 402 até chegar na MA-320. A BR está ok, não é tão movimentada, e você vai acompanhando o trem da Vale por vários trechos, puxando minério. Segundo nosso motorista, há um trem de passageiros operado pela Vale, na Estrada de Ferro Carajás, que conecta São Luís a Paraupebas no Pará, e é bastante movimentado. Segundo nos disse, há vagões executivos e é bem equipado. Parece ser uma viagem interessante, um dia todo de viagem, 900 km, 27 municípios. Uma boa aventura. Aventura também é esse pequeno trajeto até chegar a Santo Amaro pela MA320. Embora seja uma estrada recente, que foi o pulo do gato para que Santo Amaro se abrisse ao turismo, ela está sem manutenção, muito buraco, muito jegue na estrada sem dono cuidando, um perigo. Por sorte não é movimentada, pois os motoristas a todo momento precisam desviar buracos e animais. Imagino à noite, o perigo de trafegar ali. Chegando em Santo Amaro, você percebe que ali existe um outro relógio. Esquece o tempo que regula o seu dia. Começando pela brisa que já veio nos acompanhando desde São Luís, e felizmente é constante, porque o Maranhão é quente, meu povo! Exceto pelo novo acesso ao povoado, que mostra que a cidade está crescendo rápida (e desordenadamente), o restante das ruas é muito tranquilo. As pessoas habitam suas casinhas, na grande maioria de alvenaria sem reboco, balançando as redes e vendo a movimentação dos carros de passeio autorizados. A fala do maranhense tem uma sonoridade muito bacana, e combina com a brisa e o visual local. O acesso ao parque (e em algumas ruas) só é possível de veículo com tração 4x4 e devidamente credenciados. Na rua em que nos hospedamos, só de 4x4. Mas era uma localização bem privilegiada, conseguindo acessar o parque a pé, por uns 300 metros de caminhada. O chalezinho um charme. Foram bons dias de brisa e rede.



 A organização dos passeios: 

Com as superdicas da Ariele, tivemos passeios todos os dias, de domingo à sexta-feira. E que passeios. Optamos por mesclar passeios privativos e coletivos, e deu muito certo. Cada um merece um destaque. Porém, na chegada ao nosso chalé, percebi que não levei a sapata correta que conecta minha câmera ao tripé (era de outro tripé). Pensa na raiva. Passei uns três dias lamentando o erro ridículo da pouca prática. Estava no melhor lugar do mundo para fotografar a Via Láctea em seu esplendor e não podia porque o tripé não tinha a sapata correta. Isso tudo porque inventei de limpar o equipamento antes de viajar e não me certifiquei de deixar conectado na câmera. Mas, enfim, as areias branquinhas estavam ali ao alcance da mão. Bora lá? 

Passeio 1: Circuito Bethânia – privativo, dia todo.

O motorista foi o Junior Bolota, tio da Ariele. A família Luz é grande empreendedora do turismo em Santo Amaro, e são muito bons no que fazem. Conversando com eles dá pra ver que estão crescendo e têm bastante consciência da necessidade de preservação ambiental. A comunidade de Bethânia fica dentro do Parque dos Lençóis. Aboletados na jardineira (parte superior e aberta da caminhonete 4x4), com o vento derrubando os chapéus, fomos desbravar os Lençóis. Tentar descrever o que os olhos arregalados viam não vai fazer justiça ao cenário. Nem fotografia. Porque fotografia é registro, mas falta o vento (e ele é parte essencial do cenário), falta o cheiro, falta a areia machucando a pele. Só indo lá. Desculpa. Não tenho como fazer você entender. Só experimentando. Antes de chegar ao destino, parada para o primeiro banho em uma das lagoas azuizinhas do caminho.
 Lá em Bethânia eles já nos esperavam como o almoço preparado, os pratos que escolhemos quando saímos de casa e o motorista já tinha registrado no celular.
Como era um domingo no meio de um feriadão (Corpus Christi tinha sido na quinta anterior e o dia de São João era na terça seguinte, em que vários lugares fazem feriado), havia bastante movimento no lugar. Para chegar na comuna, você pega um barquinho que faz o curto caminho até o restaurante. Preços nos Lençóis são preços de turismo, se prepare. Mas aceitam cartão, pix, tudo certo.







Bethânia fica numa das bordinhas do parque, bom pra ir se acostumando e se ambientando com o Parque. Depois do almoço, você descansa no redário. Tomou aquela cachacinha batizada, encheu o pandulho, bora lá balançar na brisa. Tem coisa melhor? Comecei a achar que não. Depois das 15, hora de tomar o barquinho e ir com o motora procurar uma lagoa pra chamar de sua. Segundo me disseram, são mais de 35 mil que se formam por ano, então, tem uma para cada turista. E são lindas. Água quentinha, areia de um branco lençol, as dunas altas formando ondulações e o vento embalando tudo isso. Consegue? Pois então.
Depois saímos em busca de uma duna para apreciar o pôr do sol. Tivemos pôr do sol em todos os passeios. E cada um foi um show à parte. Lembre-se: isso é aqui é um resuminho bem básico de cada passeio, só pra incentivar sua imaginação e atiçar a vontade de pegar o primeiro avião pra lá. 

Passeio 2: Circuito Ponta Verde – coletivo, dia todo. 

No nosso terceiro dia nos Lençóis, fomos fazer o Circuito Ponta Verde, que visita outra comunidade que nos recebeu para almoço. Para lá, fomos com a dupla motora-guia, Emerson e Rômulo. Essa dupla repetiu no Circuito Emendadas, e são super gente boa. Mesmo modelo, encomendamos o almoço na saída e fomos sacolejar parque adentro até o destino, com a devida parada para banho antes de tudo. O Rômulo, que é primo da Ariele, começou o circuito agradecendo o pessoal que estava ali, falando da importância do turismo no desenvolvimento da cidade, e da oportunidade que isso deu à população local. 
Aí é que a gente volta ao assunto lá do capítulo São Luís, da importância da preservação, e em Santo Amaro, da Natureza. De como o povo se organizar é importante, porque eles estão se abrindo ao turismo. 
O grande salto para Santo Amaro veio com a pandemia. É bonito ver como eles são gratos ao que está acontecendo, da forma como estão agarrando a oportunidade para melhorar as suas vidas. Sucesso pra esse povo tão bacana de Santo Amaro! 

Voltando ao passeio, Ponta Verde é um povoado de pescadores, abaixo de Travosa, e localizado em área verde que bordeia o Parque. 
Lá na comunidade de Ponta Verde pela primeira vez provei a “marvada” Tiquira, e o que é melhor, Tiquira de Cannabis! Pode isso? Mas não senti nada. 
Quando chegamos no povoado, já vieram dizendo que a tiquira é mais forte porque é da mandioca, que é danada isso e aquilo, e batizada com cannabis então, tocaram o horror. Não deu nada, nem a moleza tradicional de uma branquinha. Ou eu estou virando uma cachaceira de primeira ordem, ou é só a fama  da Tiquira. É fato que ela desce queimando tudo, mas não deu nenhum rebuliço como achei que aconteceria. Ah, talvez por isso eu esqueci meu telefone na rede, que prontamente foi achado pelo grupo dos guias que já estavam procurando o dono e, gentilmente, fizeram o carreto dele até a Lagoa onde fomos fazer o tal SkiBunda. Eu não, o marido. Diz ele que foi bacana descer lá de cima e cair na água. Sem o celular, não foi possível fazer o registro decente da queda.













Lá em Ponta Verde o pessoal usa internet do Elon Musk e a energia elétrica vem de kits instalados para captação de energia solar. O jardim do restaurante era uma capricho só, muita flor e cor. Parabéns aos proprietários do Restaurante Rancho Canoas!


Passeio 3: Circuito de Rancharia – privativos
Nosso terceiro passeio no Parque foi o Top One da nossa Billboard Lençóis. Repetimos o motora, o Junior, que dessa vez veio acompanhado de guia. Rancharia é um presente especial. Não é um circuito muito procurado por grupos, segundo me disse a Ariele. Mas é especialíssimo. Anote esse nome: Lagoa do Bicudo Gordo. A mais sensacional entre todas. E olhe que é difícil escolher.
Havia uma meia dúzia de gatos pingados, bem distantes, desfrutando desse paraíso. Desconfio que é lá que levam o pessoal da exclusivíssima Oiá, porque havia um casal com um toldo esvoaçante à distância. Anote que no passeio privativo além das cadeirinhas de praia, que mesmo no coletivo são fornecidas pelo pessoal da Nilson Tur, junto com água, eles levam um cestinho com guloseimas e frutas. O Junior tem uma mesinha chique de madeira e ali ele deposita a cestinha charmosa e abre o guarda-sol pra proteger seus guiados. Pra chegar nessa Lagoa, pegamos mais um barquinho com o Seu Alexandre, simpático que só ele, e nos largou lá na beira da água. Depois toca voltar com o barco na hora marcada pro almoço na comunidade, depois aquele redário de respeito (com direito a uma cabrita muito louca fazendo alarde ali do lado). A volta contou com banho na Lagoa da Onça, batizada assim pelo Júnior Bolota que nos disse que foi por causa de uma onça que fugiu de um circo em Santo Amaro e pegaram de volta nessa região. 
Mais um pôr do sol lindão. Onde a vista alcança tem gente no topo das dunas, esperando o bichão descer.
Nessa noite fomos dar uma volta no centrinho de Santo Amaro, cheia de gente por causa do São João. Na frente de várias casas, uma fogueirinha acesa. 

Passeio 4: Circuito Emendadas – coletivo, caminhada noturna.
Na nossa Billboard de Lençóis, esse aí foi o Top 3. Tiramos a manhã para uma folga nas redes, só na brisa, um arroz de Cuxá no almoço, no Restaurante Sol de Amaro, delicioso (eu fui caminhando debaixo de uma sombrinha - esquecida na mochila por sorte - porque o Sol não é mole não). O passeio começa lá pelas 14h30, onde se vai com os guias (olha o Emerson e o Rômulo de novo), até um pouco antes das Lagoas Emendadas, no limite do Parque, e começa uma caminhada de mais ou menos 3,5 a 4km, até chegar nas mais belas dunas e à duna mais alta do Parque, onde ao longe, você vê o mar. Aliás, vá preparado porque é um sobe e desce de dunas o tempo inteiro em Lençóis, dá uma incrementada nos exercícios de panturrilha pra não sofrer. 
A caminhada é bacana, o Rômulo ensinou coisas sobre areia movediça, até mostrou um lugar e meio que alguns se enterraram ali, ensinou como se faz uma cacimba para beber água limpa, porque sim, as lagoas são lindonas mas a água não pode ser ingerida, é água parada, da chuva. Ela se move pelo vento. Algumas tem até uns danados de uns peixinhos verdes bem pequenininhos mas que mordiam a pele. Quando a água seca, eles morrem, coitados. Coisas da Mãe Natureza. Caminhamos até o topo da duna mais alta e lá esperamos o sol se pôr. Daí vem a caminhada de retorno.
E começa o espetáculo, o céu vai trocando o colorido e se acendendo. A Via Láctea vai se mostrando, de mansinho...a olho nu! Que coisa incrível. São tão poucos os lugares no mundo onde ainda é possível vê-la assim, sem poluição luminosa por perto e acessível.
Esse passeio eu super recomendo. Porque ele é espetacular de dia e de noite. As cores que o céu te brinda não existem em outro lugar. Só lá.

Passeio 5: Barreirinhas e Atins
 

Nosso quinto dia foi dedicado a visitar a cidade de Barreirinhas e chegar até Atins. Aqui uma observação: o Nilson não opera em Barreirinhas, então pegamos o contato de uma agência de lá, que nos mandou um motorista até Santo Amaro e fomos de carro privativo até Barreirinhas (simplezinho, viu, nada como o Toyota Hilux super confortável do Nilson – aliás, hello Toyota do Brasil, vocês dominam nos Lençóis, deveriam ter parcerias com o pessoal do turismo lá). Barreirinhas é assim, uma muvuca que lembra esses países com trânsito caótico por aí. Dominam as motocicletas pilotadas por gente sem capacete (aliás, é regra no interior do Maranhão por onde passamos: famílias empilhadas em cima de uma moto, todo mundo sem capacete).
Nosso objetivo era ir até Atins, mas como é tudo longe, foi um bate e volta que deixou a desejar. O acesso ao Parque por Barreirinhas é horroroso. Parece que eles andam incomodados com o sucesso que Santo Amaro está fazendo no turismo, já que eles são veteranos nos Lençóis há pelo menos 30 anos e os outros estão começando. Os quilômetros pra chegar de Barreirinhas até o parque são medonhos, é uma estrada arenosa, depois nos arrependemos de não termos subido com as voadeiras pelo rio. Fica a dica. Vá de barco pelo rio e poupe sua coluna. Passamos um pedacinho de litoral até chegar a Atins, que é dominada por estrangeiros. Segundo nos contaram, a população local está se deslocando pro interior, porque não consegue acompanhar o ritmo e a escalada dos valores praticados. Atins é totalmente pé na areia, tem muitos restaurantes e pousadas bacanas, aquele tipo Boho chic. Condomínios exclusivos e aquelas coisas.
Achei bonito, mas também não tem muito o que fazer por lá. Brisa e rede. Sendo assim, Santo Amaro é melhor, porque o Parque tá no quintal e ainda tem o Rio Grande com várias possibilidades. Na nossa Billboard dos Lençóis, esse passeio amargou a última colocação. 

Passeio 6: último dia, passeio simples Noturno, privativo. 

O pessoal do Nilson, e também outras agências, oferecem passeios que incluem piqueniques no amanhecer, pôr do sol ou à noite, ao gosto do freguês. Nós acabamos optando apenas pelo passeio simples. Mas que simplicidade, que nada. O luxo está no seu coração.
Levamos um vinhozinho, a Ariele forneceu o gelo e as taças, aliás ela e o pai foram nossos condutores nessa última jornada. O Nilson, uma simpatia, corredor de maratona e muito gente boa. A Ariele, sabendo do meu infortúnio com o tripé, acabou conseguindo um emprestado, mas, mais uma vez deu problema com minha lente grande angular e, ok, fiquei na obrigação de voltar aos Lençóis pra fazer a bendita foto da Via Láctea bem produzida. Meu celular ao menos me salvou em e deu um gostinho do que perdi (vou lamentar por muito tempo essa trapalhada). Valeu, Ariele, volto aí bem equipada na próxima!
Eles escolhem uma lagoa só pra você. Um breu total, abrem uma mesinha com o vinho e o que mais você levar, acendem velas e se retiram para proporcionar umas três horas de céu noturno, lagoa com água quente e absoluto silêncio, aos seus guiados. Uma maravilha que só experimentando. Deitar na areia morna e ficar admirando aquele céu absurdo é o maior luxo que um ser humano pode se dar. Respirar, absorver aquela sensação de solitude te faz perceber como somos nada, como somos um suspiro numa imensidão.
Na minha Billboard pessoal, esse passeio foi o Top One. Na do casal ficou no Top 2. Mas é uma escolha individual mesmo. Cada um terá a sua preferência de acordo com as suas paixões. Para mim, o céu estrelado faz companhia desde a infância, quando eu falava sozinha. 
Só posso dizer: vá. 
 E volte restaurado. 

Depois de tudo isso, retornamos a São Luís para a finaleira, passeiozinho na orla, uma visita ao Forte que já estava fechado mas tem um Café muito bom, onde apreciei uma torta de Bacuri (doce bom) e uma última observação bacana sobre São Luís: as pessoas vão até o Forte que tem jardins enormes ao redor, e fazem piquenique, fazem festas de aniversário e outras, ali mesmo, no gramado. Tudo muito bonito, e muito legal ver a população tomando conta do que é seu. Um belo hábito dos ludovicenses (ahá, você não sabia esse gentílico, mais uma homenagem aos franceses) que merece ser espalhado.
Se você gostou de conhecer um pouco sobre os Lençóis Maranhenses, e de quebra um pouquinho de São Luís, deixe seu comentário. Nos vemos no próximo texto, até lá.

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