quarta-feira, 15 de maio de 2024

15° 47′ 38" S, 47° 52′ 58" W-15.793889, -47.882778 Muito mais do que a capital do Brasil



Muito mais do que a capital do Brasil, Brasília é um colírio. Um colírio diferente, porque mistura concreto armado com cultura, com História, com natureza e com gente, e uma pitada de civismo. Tudo isso, bem misturado, te leva a descobrir uma cidade vibrante, moderna, visualmente encantadora, principalmente se você turistar à noite. Que lugar, pessoas! Já vinha programando essa viagem fazia um tempo, daí veio a pandemia e atrapalhou tudo, mas esse ano eu falei, agora vai! E foi. Com a bela desculpa que eu tinha uma fotografia exposta no MAB (Museu de Arte de Brasília) como resultado do BPS23 (e ela tava lá, lindona), convenci meu marido e lá fomos conhecer Brasília. Desde o primeiro dia eu só pensava em quando chegasse as 19h no relógio, dizer a famosa frase: em Brasília, dezenove horas. Só que todo dia nesse horário estava me encantando com alguma coisa e foi passando... De cara, sabendo que a previsão era de chuva para aqueles dias (sim, Brasília é conhecida por ter clima seco, pouca chuva, mas eu escolhi a dedo, naqueles dias, choveu), pendurei a máquina no ombro e tratei de fazer aquela pressão: vamos lá, vamos caminhando que é legal até a Praça dos Três Poderes, a noite tá bonita, tem lua. E não é que deu certo? Naquela noite, a Catedral estava belíssima, e lotada - era a noite da posse do novo Ministro do STF, Flávio Dino. Dezenas de carros enfileirados, com suas placas oficiais. Consegui fazer uma imagem tradicional do famoso templo. No domingo é que conseguimos visitar seu interior. Sufocante, muito quente, muito vidro. Não é um lugar para ficar tranquilo, meditando ou orando. Está mais para obra a ser admirada.
Mas, a caminhada ia rendendo exclamações admiradas conforme ia se desenvolvendo. Afinal, show de arquitetura é o que não falta no Eixo Monumental. A principal dica da viagem é: caminhe à noite em Brasília. Além de super segura, ela é infinitamente mais bela à noite. Toda aquela arquitetura de traços limpos e contemporânea recebe uma camada de luz que a deixa soberba. De dia não tem o mesmo encantamento. Vai por mim, caminhe à noite.
Não, sua tela não está com defeito, a foto está invertida mesmo. É que é tanto espelho d'água que alguma coisa precisa ser feita, então, toca Brasília de cabeça pra baixo, que fica linda. Lamentavelmente, o Palácio do Itamaraty, que era a menina dos meus olhos, não estava aberto à visitação por aqueles dias, ainda em consequência do fatídico 08 de janeiro de 2023. Sobre isso, um breve comentário mais adiante. Um pouco de decepção em frente ao STF. Sendo funcionária do Poder Judiciário, tinha muita vontade conhecer o palácio da chefia, mas de todos, foi o que eu achei mais sem graça, então não vou dar espaço para ele por aqui. Sorry, guys. Mas, logo ali ao lado, olhei para cima e vi aquela Lua iluminando o Panteão da Pátria e o bandeirão lá em cima. Imagem bacana, tá que ficou meio escura, mas dá pro gasto. E veio na lembrança aquele sentimento cívico aprendido. Claro, old school, mas e daí, não tem nada demais sentir-se parte de uma nação, afinal de contas, é o meu país.
Seguimos, logo adiante veio o Palácio Presidencial, o Planalto. Mais ou menos. O soldado de guarda na rampa me mandou ficar atrás da linha, e eu nem tinha ameaçado subir, só queria me alinhar pra foto ficar bacana. Mas tudo bem. Toma, fica upsidedown também.
Para me redimir do STF, cheguei no Palácio da Justiça, oficialmente Palácio da Justiça Raymundo Faoro (uma curiosidade, Raymundo Faoro era irmão do meu padrinho, Lourenço Faoro, me senti em casa). Outra pintura iluminada. Voltei no dia seguinte a esse Palácio, pois já havia agendado a visita. Em Brasília quase tudo funciona mediante agendamento, é uma beleza. E tive a tranquilidade de ser a única visitante, então a moça gentil que foi minha cicerone (lamento, não guardei seu nome) me levou conhecer o Palácio em um tour privativo. Achei fantástico! Sentei até na cadeira reservada ao Ministro Lewandowski em determinada sala de reuniões, rodeada por todas aquelas fotografias dos ex-ministros. Tudo muito Brasília. Mas ali, além do registro do Palácio bonito, há uma biblioteca recheada de preciosidades, aberta ao cidadão. O restauro de alguns livros raros fica a cargo de meninos e meninas da Apae de Brasília. Um trabalho muito bacana. Parabéns pela iniciativa. Também o funcionário responsável pela Biblioteca me levou conhecê-la com todas as informações históricas. Imperdível.
Mesmo com a chuva no horizonte, no dia seguinte consegui subir na Torre de TV de Brasília, que se tornou patrimônio tombado, e não está mais em atividade, virou um ponto turístico, de onde se descortina um horizonte 360 de tirar o fôlego. Magnífica Brasília!
Perto dali, dois lugares imperdíveis, o Mané Mercado e o Memorial JK. O Mané Mercado é um lugar inovador, que mistura o conceito de mercado público moderno com boa gastronomia e atendimento diferenciado. Vizinho do Estádio Mané Garrincha, você dá uma passeada geral, mais ou menos escolhe o que vai querer degustar, escolhe a mesa onde quiser, vem o garçom solícito que anota o teu pedido, e você pede a bebida de um lugar, a entrada de outro, o prato principal de um terceiro e, se estiver bem na dieta, a sobremesa de um quarto lugar. Ou qualquer uma dessas coisas de qualquer lugar, mesmo. E paga com um pix só, ou no cartão. Não é inovador? É tanta coisa boa pra comer e beber, que não vou indicar nenhum local, vai lá e experimenta por si. Ah, tanta correria, segui esquecendo que em Brasília logo seriam...19h. Bom, cheguei até aqui e não toquei no nome do homem. Ou dos homens. Não dá para dissociar Brasília de seu criador visionário, JK, Juscelino Kubitschek, nem do traço limpo e contemporâneo de Oscar Niemeyer que idealizou as construções, assim como dos inúmeros jardins modernistas de Burle Marx dentro do projeto urbanístico de Lúcio Costa. Não à toa esse conjunto alçou a capital ao status de Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade. Poderia ficar linhas aqui discorrendo sobre tanta História envolvida, mas não é esse meu objetivo. Pra você viajar nas minhas palavras, basta saber que DEVE ir ao Memorial JK. Vá com calma, preste atenção aos detalhes. Aperte a mão e ouça o senhor Euricles Oliveira. Ele é o funcionário mais antigo do memorial, porque já era funcionário da família Kubitschek. Uma enciclopédia, ali no meio de tantos livros de História. Simpático ao nível 10, não dá para imaginar o Memorial sem ele. Na dúvida se colocaria aqui a tradicional foto do JK acenando para a cidade, optei por aquele que representa tanta dedicação e é História Viva.
Afastado da Capital, mais ou menos 30km, fica o Catetinho. O Catetinho é uma chácara, sítio, onde um grupo de amigos erigiu uma casa de madeira, meio às pressas, para acomodar JK na época da construção do novo Distrito Federal. Vá, nós fomos de Uber/99/Táxi. A Natureza do lugar já vale por si. Mas ali estão memórias do tempo. A cozinha segue montada igualzinha, os quartos, os banheiros. Fora que teve mais gente boa que frequentou a casa e até compôs música imemorial (Tom Jobim, Vinícius). É óbvio, como dizem, ululante, que caminhando por aquelas paragens, cantei o Peixe Vivo. Mas como que não!?
Sim, o senhor Presidente usou este vaso, e os moçoilos compuseram no Catetinho.
A visita ao Congresso e ao Senado deve ser agendada, e vale a pena conhecer esses lugares que são tão íntimos nossos pela TV. Não deixe de ir. Estão em exposição, algumas das peças danificadas no 08 de janeiro, lamentável ver os resquícios da destruição, que estão presentes em algumas portas de vidro, e nos objetos expostos. No detalhe, o túnel do Tempo e o Senado. Ops, não tem espelho d'água, mas lá tudo funciona de cabeça pra baixo.
Finalizo com uma foto que é a minha preferida, do Museu Nacional da República. Quase posso dizer que é uma Nave alienígena estacionada ali, esperando pelo embarque. Brasília tem um ar místico, e tem muitas histórias fantásticas dos arredores. Em frente não perca a Biblioteca Nacional, cheia de opções e acesso franco para todos. Resumindo, Brasília vale muito a pena ser visitada. Ah, ops, quase esqueci. No último dia, já no aeroporto, consegui ser pontual e quando o relógio marcou, lá estava eu: Em Brasília, dezenove horas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

34°28 " S do ′ 17 57°50 " W do ′ 39 Vamos ao Uruguay? Que o Uruguay é pequeno e encantador todo mundo sabe. Que tem uma excelente ...